
Em Abril referi aqui os resultados de um inquérito encomendado pela British Music Rights (BMR) à Universidade de Hertfordshire sobre os hábitos musicais dos jovens britânicos que indicava que 95 por cento dos indivíduos entre os 18 e os 24 anos já copiaram ilegalmente por via online ou offline música protegida por direitos de autor. Acontece que esses eram só os dados preliminares, pois a BMI – uma associação que defende os interesses dos compositores e editores de música – acaba de anunciar o estudo completo.
As conclusões finais detalham alguns dados referidos anteriormente. Ficamos agora a saber que “quase metade das músicas que integram a colecção de um leitor de MP3 não foram adquiridas legalmente” quer dizer que das 1770 faixas que cada leitor de música contém em média, 842 têm origem ilegal – o que corresponde a 48 por cento.
Na faixa etária entre os 14 e os 17 anos, essa percentagem sobe para os 61 por cento. Quanto aos suportes utilizados pelos jovens britânicos para aceder a música protegida por direitos de autor:
- 58 por cento dos inquiridos afirmou já ter copiado ficheiros dos discos rígidos de amigos para os seus;
- 63 por cento já copiou CDs comprados por amigos;
- 63 por cento já descarregou música através de redes P2P de partilha de ficheiros;
- 42 por cento já fez o upload de música para redes P2P de partilha de ficheiros;
- 14 por cento dos CDs pertencentes à colecção pessoal de cada jovem britânicos foram copiados ilegalmente.
Mas ao contrário do que a notícia do The Times dá a entender, o estudo não traz só más notícias, muito pelo contrário. Não só 80 por cento dos partilhadores manifestaram que estariam dispostos a pagar por um serviço legal de partlha de ficheiros – o que confirma os dados de um estudo anterior -, mas também cerca de 60 por cento dos inquiridos afirmaram que continuariam a comprar CDs mesmo após a criação desse novo serviço de partilha de ficheiros. Para além disso, 60 por cento do montante gasto com a música pelos jovens vai para os concertos ao vivo contra apenas os 40 por cento dedicados à aquisição de música.
O meu único receio é que já seja demasiado tarde para a indústria discográfica introduzir um serviço legal de subscrição mensal de música. Por vezes, parece-me que o “ethos da partilha” se tornou demasiado forte para que seja possível controlá-lo. A cada mês que passa há um novo avanço tecnológico que torna a partilha mais irresístivel, simples, fácil e atractiva. Ao mesmo tempo, surge uma nova história sórdida de direitos de autor que ficaram por pagar ou que foram mal distribuídos pelas sociedades de gestão colectiva, de projectos de lei que pretendem privar o acesso dos mais jovens à Rede, de espionagem e violação da privacidade, etc.
Nesse sentido, este estudo apenas demonstra que o P2P já faz parte do “ADN mental” das gerações mais novas. Se isto é uma excelente notícia para a sociedade em geral – uma vez que faz desabar por completo o conceito ridículo de “propriedade intelectual” e a mentalidade egoísta de alguns “criadores” -, também deve ser visto como um augúrio de um futuro incerto para os artistas que não se quiserem vender a operadoras de telecomunicações, marcas de roupa, fabricantes de automóveis e outras “marcas”.
Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC-ND 2.0 e pertence a nickhall.
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