Co-fundador do Second Life é o novo Geek da EMI

by Miguel Caetano on 9 de Junho de 2008

Quando o risco iminente de falência paira sobre uma grande empresa que precisa desesperadamente de adaptar o seu modelo de negócio podem-se tomar decisões desesperadas, diria mesmo quase suicidas. Em Abril, a EMI contratou o vice-presidente da Google Douglas Merrill para director da sua divisão digital.

Na altura, toda a blogosfera aplaudiu Guy Hands, o patrão da companhia discográfica, pelo arrojo da iniciativa. Muitos encararam a contratação como um sinal de que a direcção da EMI queria dar a volta por cima e estava determinada em desenvolver serviços online inovadores.

Desta vez, porém, parece que a repercussão gerada pelo recrutamento de Cory Ondrejka, o co-fundador e programador do Second Life – o universo virtual da Linden Labs -, para o cargo de vice-presidente sénior da divisão digital da editora não foi lá muito eufórica. Isto porque o próprio Ondrejka confessou no seu blog que nos últimos oito anos apenas comprou cinco álbuns, sendo que três destes foram dos lendários metaleiros Rush. Oh Boy… Pior ainda, ele refere que não costuma comprar nem ouvir música nova.

Embora Douglas Merrill também não tivesse nenhuma experiência anterior no negócio da música antes de entrar para a EMI, ao menos viu-se logo na altura que se tratava de um verdadeiro melómano. Ondrejka não só não tem experiência como não revela lá muito amor pela música. Ainda para mais, a Linden Labs simplesmente não é comparável à Google.

A empresa responsável pelo Second Life caiu em desgraça nos últimos meses. Apesar de ter recolhido mais de 30 milhões de dólares em capital de risco, o SL apenas conseguiu atrair entre 15 a 20 mil utilizadores regulares – não obstante a Linden Labs ter tentado impingir outros números ao equiparar os cerca de 12 milhões de visitantes a residentes. Num post devastador publicado no The Register, Andrew Orlowski argumenta que o fracasso da Linden Labs se deveu à falta de escalabilidade, segurança e sustentabilidade da sua plataforma virtual. Acontece que esses são os três elementos fundamentais que a EMI e as outras majors necessitam.

Ondrejka saiu da Linden Labs em Dezembro do ano passado, depois de sete anos a trabalhar na empresa, como se pode ler no seu currículo. Ao que tudo indica, ele não conseguiu chegar a acordo com o seu sócio Philip Rossdale em relação ao rumo que a companhia deveria tomar.

Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC 2.0 e pertence a Esthr.

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