Impressoras acusadas de partilharem cópias de Homem de Ferro e Indiana Jones Publicado 6 Jun 08

Que a fiabilidade dos processos empregues pelas empresas de combate à pirataria contratadas pelos detentores de direitos para detectar e notificar utilizadores suspeitos da partilharem ilegalmente ficheiros através de redes P2P deixava muito a desejar era algo que já se sabia.
Mas só agora foi divulgado um estudo científico que demonstra que as indústria de entretenimento poderão estar a basear-se em dados errados nas suas perseguições movidas aos “partilhadores”, dando mesmo azo a que inocentes possam ser obrigados a pagar indemnizações por algo que não cometeram. Esses inocentes tanto podem ser seres humanos como computadores pessoais, pontos de acesso Wifi ou… uma simples impressoras a laser.
Nos Estados Unidos, tanto a Associação da Indústria Discográfica Norte-americana (RIAA) como a Associação da Indústria CInematográfica Norte-americana (MPAA) costumam enviar às universidades e aos fornecedores de acesso à Internet intimações em que alegam que os seus direitos estão a ser violados à luz da lei Digital Millennium Copyright Act (DMCA).
No estudo publicado esta semana, os investigadores da Universidade de Washington Michael Piatek, Tadayoshi Kohno e Arvind Krishnamurthy analisam os métodos utilizados para recolher os endereços IP e chegam à conclusão que eles não permitem determinar com exactidão se chegou de facto a ocorrer o upload ou download de ficheiros protegidos por direitos de autor.
Para tal, eles monitorizaram o tráfego da rede BitTorrent em duas ocasiões diferentes - uma em Agosto de 2007 e outra em Maio deste ano -, mediante um agente de software, tendo acabado por receber 206 queixas na primeira vez e 281 da segunda vez. isto sem que tenham feito upload ou download de quaisquer ficheiros, ou seja, sem que tenham violado a lei.
Segundo os investigadores, este excesso de falsos positivos prova que as empresas de combater à pirataria recorrem a um sistema de detecção indirecta através da inspecção da lista dos endereços IP associados a um torrent fornecida pelo tracker de BitTorrent. Ora, apesar de ser mais rápido e económico, este método abre a porta a várias manipulações. Pelo contrário, se eles chegassem de facto a descarregar os ficheiros - detecção directa - a informação seria muito mais exacta e rigorosa.
Daí que os investigadores tenham conseguido a proeza de fazer com três impressoras a laser, um computador pessoal e um ponto de acesso a redes sem fios acabassem por receber intimações enviadas pela MPAA acusando-as de descarregarem cópias de êxitos de bilheteira como o mais recente Indiana Jones e Homem de Ferro. Se estas conclusões não são por enquanto muito preocupantes para os utilizadores europeus, imaginem o descalabro iminente quando as produtoras de cinema e as editoras discográficas conseguirem convencer os governos a implementarem medidas repressivas como a resposta gradual prevista na Lei HADOPI actualmente em discussão na França…
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Um estudo científico que demonstra que as indústria de entretenimento poderão estar a basear-se em dados errados nas suas perseguições movidas aos “partilhadores”, dando mesmo azo a que inocentes possam ser obrigados a pagar indemnizações por algo que …
Comentário de diga cultura em 7 Jun 08 09:14.[...] conseguiu provar que as intimações enviadas pela MPAA e pela RIAA assentam frequentemente em métodos ineficazes de recolha de dados - a ponto de, no âmbito desta pesquisa, impressoras a laser totalmente “inofensivas” [...]
Comentário de "E que tal cortar a ligação à Internet da indústria de direitos de autor?" | Remixtures em 7 Jul 08 17:42.[...] conseguiu a proeza de fazer com que três impressoras, um laptop e um ponto de acesso Wifi recebessem intimações por partilhar filmes sem que tivessem alguma vez feito download ou upload de quaisquer dados. [...]
Comentário de Leecher alemão erradamente acusado de fazer uploads no eMule | Remixtures em 16 Jul 08 16:53.[...] No entanto, todos os resultados de testes que foram divulgados publicamente até hoje demonstram precisamente o contrário: estas soluções são tão ineficazes que as empresas responsáveis pelo seu desenvolvimento se recusam a colocá-las à prova. Aliás, as vulnerabilidades destas tecnologias de controlo conduzem por vezes a situações caricatas como impressoras que são acusadas de partilharem filmes via BitTorrent. [...]
Comentário de iSP belga Scarlet diz que filtrar conteúdos ilegais em redes P2P é uma missão impossível | Remixtures em 23 Set 08 22:58.