ISPs franceses iniciam guerra dos serviços de subscrição de música

by Miguel Caetano on 12 de Junho de 2008

Se nos Estados Unidos já se fala na morte iminente dos serviços de subscrição de música como o Napster e o Rhapsody que dão direito a fazer o download de um número ilimitado de músicas – ainda que acorrentadas a tecnologias de DRM -, na França este tipo de ofertas só começa a aquecer agora.

A primeira a surgir (em Dezembro de 2006) foi a da MusicMe e custa 14,95 euros por mês, dando direito a transferir as músicas para 3 PCs e leitores de MP3 diferentes. O seu catálogo é composto por mais de três milhões de faixas. Só no último ano é que os fornecedores de acesso à Internet começaram a atacar esse mercado no intuito de fidelizar clientes, com a Neuf Cegetel – o segundo maior ISP da França – a introduzir em Agosto do ano passado uma oferta de música grátis incorporada a um serviço triple play Internet + Telefone + Televisão HD com um custo de 29,90 euros por mês. As 150 mil faixas disponibilizadas pertencem todas à Universal Music.

No final do ano, a Alice – uma filial do grupo Telecom Italia -, lançou o seu próprio serviço AliceMusic, igualmente acessível de borla aos clientes da modalidade triple play deste ISP que custa apenas mais cinco cêntimos do que a da sua rival. Inicialmente, os clientes apenas podiam escolher entre 300 mil músicas pertencentes ao catálogo da EMI mas no final de Maio essa oferta foi alargada a dois milhões de títulos relativos a todas as quatro grandes editoras.

Mas se até agora o utilizador era obrigado a renovar todos os meses as licenças dessas músicas para continuar a ouvi-las – o que significava que eles deixavam de poder ouvi-las a partir do momento em que o contrato com a operadora terminasse -, com o lançamento das ofertas da SFR e da Orange, os downloads efectuados passam a ser definitivos e não um mero aluguer. Outra novidade é que eles se destinam tanto aos PCs como aos telemóveis.

Em teoria, as duas ofertas de subscrição de música dão direito a fazer downloads “ilimitados” mediante o pagamento de uma mensalidade de 12 euros, mas depois vai-se a ver e não é bem assim… No caso da SFR, os detalhes disponíveis são escassos: sabe-se apenas que o seu Pass Music Live disponibiliza entre 500 mil músicas à escolha e oferece descontos de 10 por cento nos bilhetes para concertos vendidos através da loja online da operadora. Contudo, parece que a SFR não conseguiu ainda avançar com o dinheiro suficiente para convencer qualquer uma das majors a alinhar na iniciativa.

Quanto ao Musique Max da Orange, apesar de prometer downloads ilimitados, lendo bem as letrinhas pequenas do comunicado verifica-se que o internauta tem apenas o direito a descarregar 500 músicas por mês, correspondendo a uma média de um álbum por dia – nada mau… O catálogo conta com um milhão de músicas pertencentes às quatro grandes editoras (Universal Music, Warner Music, Sony BMG e EMI) e a duas independentes (Believe e Scorpio Music). Um ponto positivo é que o Musique Max pemite sincronizar automaticamente as bibliotecas de músicas do PC e do telemóvel através de um leitor especial chamado Orange Media Player baseado no Omega Media Player da zSlide.

Mas tal como todas as ofertas anteriores, o Musique Max continua a ser incompatível com o iPod e o iPhone da Apple, o que não deixa de ser rídiculo tendo em conta que a Orange é o fornecedor exclusivo do telemóvel da marca da maçã na França. Segundo os Catalyseurs Numériques, os formatos dos ficheiros disponíveis para os telemóveis são o AAC 64kb/s e o AAC+ 32kb/s. Para o PC, a opção foi para o WMA de 128 Kbps e de 192 Kbps. Apesar de estarem protegidas por DRM, as músicas podem ser descarregadas a partir de PCs Windows – apenas – e cerca de 130 modelos de telemóveis compatíveis. Depois de descarregadas, os utilizadores podem transferi-las para um máximo de cinco dispositivos.

Apesar do Music Max parecer uma oferta razoável, o recurso à DRM e todos os constrangimentos que este tipo de tecnologias implicam (dependência de um sistema operativo e de um leitor de música específico), bem como a fraca qualidade áudio são motivos mais do que suficientes para os consumidores que já utilizam as inúmeras ofertas grátis torcerem o nariz – sobretudo aqueles que utilizam Linux e Mac. Enquanto continuarem a insistir na tecla da DRM, nada feito.

Outra questão que também importa colocar é que estes novos serviços lançados por operadoras de telecomunicações tendem a concentrar ainda mais o sector da música. Eles não se devem limitar a meras negociatas de parcerias exclusivas entre ISPs e editoras (Neuf Cegetel & Universal Music, Alice & EMI) ou clubes privados onde só entram os tubarões (Orange). Toda a gente tem que ter direito a participar e a receber uma parte do bolo, incluindo os independentes.

Bookmark e Compartilhe

Artigos relacionados:

  1. Franceses não gramam serviços de downloads “ilimitados” de operadoras de telemóveis
  2. ISPs franceses oferecem downloads ilimitados e legais de música
  3. Proposta de lei apoiada pela RIAA obriga universidades a oferecerem serviços de subscrição com DRM
  4. Executivo do Yahoo Music explica a razão do fracasso dos serviços de subscrição
  5. Subscrição de música sem DRM a caminho do iTunes

This website uses IntenseDebate comments, but they are not currently loaded because either your browser doesn't support JavaScript, or they didn't load fast enough.

Previous post:

Next post: