Se nos Estados Unidos já se fala na morte iminente dos serviços de subscrição de música como o Napster e o Rhapsody que dão direito a fazer o download de um número ilimitado de músicas – ainda que acorrentadas a tecnologias de DRM -, na França este tipo de ofertas só começa a aquecer agora.
A primeira a surgir (em Dezembro de 2006) foi a da MusicMe e custa 14,95 euros por mês, dando direito a transferir as músicas para 3 PCs e leitores de MP3 diferentes. O seu catálogo é composto por mais de três milhões de faixas. Só no último ano é que os fornecedores de acesso à Internet começaram a atacar esse mercado no intuito de fidelizar clientes, com a Neuf Cegetel – o segundo maior ISP da França – a introduzir em Agosto do ano passado uma oferta de música grátis incorporada a um serviço triple play Internet + Telefone + Televisão HD com um custo de 29,90 euros por mês. As 150 mil faixas disponibilizadas pertencem todas à Universal Music.
No final do ano, a Alice – uma filial do grupo Telecom Italia -, lançou o seu próprio serviço AliceMusic, igualmente acessível de borla aos clientes da modalidade triple play deste ISP que custa apenas mais cinco cêntimos do que a da sua rival. Inicialmente, os clientes apenas podiam escolher entre 300 mil músicas pertencentes ao catálogo da EMI mas no final de Maio essa oferta foi alargada a dois milhões de títulos relativos a todas as quatro grandes editoras.
Mas se até agora o utilizador era obrigado a renovar todos os meses as licenças dessas músicas para continuar a ouvi-las – o que significava que eles deixavam de poder ouvi-las a partir do momento em que o contrato com a operadora terminasse -, com o lançamento das ofertas da SFR e da Orange, os downloads efectuados passam a ser definitivos e não um mero aluguer. Outra novidade é que eles se destinam tanto aos PCs como aos telemóveis.
Em teoria, as duas ofertas de subscrição de música dão direito a fazer downloads “ilimitados” mediante o pagamento de uma mensalidade de 12 euros, mas depois vai-se a ver e não é bem assim… No caso da SFR, os detalhes disponíveis são escassos: sabe-se apenas que o seu Pass Music Live disponibiliza entre 500 mil músicas à escolha e oferece descontos de 10 por cento nos bilhetes para concertos vendidos através da loja online da operadora. Contudo, parece que a SFR não conseguiu ainda avançar com o dinheiro suficiente para convencer qualquer uma das majors a alinhar na iniciativa.
Quanto ao Musique Max da Orange, apesar de prometer downloads ilimitados, lendo bem as letrinhas pequenas do comunicado verifica-se que o internauta tem apenas o direito a descarregar 500 músicas por mês, correspondendo a uma média de um álbum por dia – nada mau… O catálogo conta com um milhão de músicas pertencentes às quatro grandes editoras (Universal Music, Warner Music, Sony BMG e EMI) e a duas independentes (Believe e Scorpio Music). Um ponto positivo é que o Musique Max pemite sincronizar automaticamente as bibliotecas de músicas do PC e do telemóvel através de um leitor especial chamado Orange Media Player baseado no Omega Media Player da zSlide.
Mas tal como todas as ofertas anteriores, o Musique Max continua a ser incompatível com o iPod e o iPhone da Apple, o que não deixa de ser rídiculo tendo em conta que a Orange é o fornecedor exclusivo do telemóvel da marca da maçã na França. Segundo os Catalyseurs Numériques, os formatos dos ficheiros disponíveis para os telemóveis são o AAC 64kb/s e o AAC+ 32kb/s. Para o PC, a opção foi para o WMA de 128 Kbps e de 192 Kbps. Apesar de estarem protegidas por DRM, as músicas podem ser descarregadas a partir de PCs Windows – apenas – e cerca de 130 modelos de telemóveis compatíveis. Depois de descarregadas, os utilizadores podem transferi-las para um máximo de cinco dispositivos.
Apesar do Music Max parecer uma oferta razoável, o recurso à DRM e todos os constrangimentos que este tipo de tecnologias implicam (dependência de um sistema operativo e de um leitor de música específico), bem como a fraca qualidade áudio são motivos mais do que suficientes para os consumidores que já utilizam as inúmeras ofertas grátis torcerem o nariz – sobretudo aqueles que utilizam Linux e Mac. Enquanto continuarem a insistir na tecla da DRM, nada feito.
Outra questão que também importa colocar é que estes novos serviços lançados por operadoras de telecomunicações tendem a concentrar ainda mais o sector da música. Eles não se devem limitar a meras negociatas de parcerias exclusivas entre ISPs e editoras (Neuf Cegetel & Universal Music, Alice & EMI) ou clubes privados onde só entram os tubarões (Orange). Toda a gente tem que ter direito a participar e a receber uma parte do bolo, incluindo os independentes.
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