
Ora aqui está mais uma excelente oportunidade para vos falar sobre The Pirate’s Dilemma (“O Dilema do Pirata”), esse excelente livro de Matt Mason que desmistifica vários dos principais mal-entendidos e estereótipos propagados pelos meios de comunicação social a respeito da pirataria e da partilha de ficheiros.
Depois de ter disponibilizado o download grátis da sua obra por considerar que isso apenas iria contribuir para aumentar ainda mais as vendas da edição física em papel, Mason anunciou recentemente que pretende adaptar o livro a um programa de televisão dividido em 13 episódios.
O programa será produzido em conjunto com Mason e Jesse Alexander, produtor executivo das famosíssimas séries de televisão Heroes e Lost, bem como de Mark Kotlinski e John Carluccio da Current TV – uma cadeia de televisão online pertencente a Al Gore.
O video de apresentação está aqui. Em apenas cinco minutos, ficamos a perceber de que modo é que a história dos Estados Unidos – aquela que continua a ser a nação mais rica do mundo – se encontra inextricavelmente ligada à pirataria. No vídeo, Mason alerta-nos também para a necessidade das empresas, políticos e juizes se adaptarem à pirataria em vez de continuarem a resistir a ela, uma vez que esta poderá muito bem ser o modelo de negócio do século XXI.
Tanto mais porque as suas consequências a longo prazo podem ser bastante positivas. Não só no que diz respeito às indústrias onde os seus efeitos são mais visíveis (música, cinema, software, videojogos), mas também a outras áreas como a indústria farmacêutica, moda, etc. Muito mais do que ladrões, os piratas devem ser encarados como inovadores e pioneiros. A única grande falha que eu tenho a apontar no discurso de Matt Mason é que ele nunca faz um esforço no intuito de separar a pirataria para fins comerciais daquela que é praticada para mero uso pessoal. Não quero dizer com isto dizer que a contrafacção de CDs ou DVDs não seja até certo ponto legítima em determinados mercados. Mas a verdade é que se tratam de dois fenómenos distintos que têm causas e justificações bem diferentes e, como tal, merecem ser analisados com rigor.
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