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O Peer-to-Peer é o culpado. Não! É a solução Publicado 24 Jun 08

I Love P2P

Uma empresa de soluções de “gestão de tráfego” de P2P volta a apresentar um estudo que conclui que o P2P é o principal culpado pelo congestionamento das redes. O que é curioso é que é precisamente a Sandvine, a companhia que forneceu a tecnologia que o fornecedor de acesso à Internet norte-americano Comcast utilizou para limitar a largura de banda disponível para o tráfego de BitTorrent.

Segundo os dados do estudo citados num artigo do Multichannel News (via ZeroPaid), durante o mês de Maio a partilha de ficheiros representou 43,5 por cento de todo o tráfego de Internet registado pelos fornecedores de acesso à Internet norte-americanos. Muito atrás veio a navegação na Web com 27,3 por cento. Ainda mais atrás seguiu-se o streaming de áudio e vídeo com apenas 14,8 por cento. Em relação ao ano anterior, o tráfego de P2P subiu 41 por cento.

De acordo com a Sandvine, o P2P é de facto uma autêntica praga: 75 por cento do tráfego upstream (correspondente a uploads) foi gerado pela partilha de ficheiros. Mas realmente, não me parece que estes números sejam de muita confiança. Não só porque o artigo apenas refere que a pesquisa se baseou num inquérito aos “principais” ISPs sem nomear sequer um deles, mas também porque a Sandvine é uma parte interessada no assunto em questão, uma vez que comercializa aos ISPs máquinas especializadas em traffic shaping que permitem limitar largura de banda à custa dos interesses dos consumidores.

Por outro lado, todos nós sabemos que o número de horas que os internautas passam em sites de streaming de vídeo e áudio tem crescido a pique ao longo dos últimos anos. Ao mesmo tempo, começam também a ganhar força os sites especializados em vídeo com qualidade HD de alta definição. Por fim, esta já não é a primeira vez que uma empresa que fabrica dispositivos de controlo de tráfego P2P divulga um estudo com estatísticas supostamente rigorosas em que o P2P passa como o maior devorador de largura de banda…

Mas se para alguns o P2P é o causador de todos os males, para outros ele pode vir a revelar-se como a solução para os problemas que afligem muitas empresas, em particular as operadoras de telecomunicações móveis. Isto porque o iPhone foi apenas o início de uma revolução da computação móvel que irá permitir a integração de funcionalidades multimédia cada vez mais avançadas como música, jogos e filmes naqueles dispositivos móveis a que ainda chamamos de telemóveis.

Se a maior parte dos modelos actuais já integram suporte para tecnologia Bluetooth, a compatibilidade com redes WiFi também parece assegurada em muitos dos novos aparelhos de gama média. Mais ainda, o WiMAX será a médio prazo uma realidade inevitável. Será que os utilizadores vão optar por continuar a pagar tarifas elevadíssimas às operadoras por partilharem conteúdos através das suas redes? Não, pois não?

Segundo outro estudo da firma de consultoria Pioneer Consulting (via Slyck), o recurso a redes alternativas para partilha de ficheiros poderá representar uma perda de receitas no valor de 16,4 mil milhões de receitas por volta de 2012. De acordo com o autor do estudo Robert Hsieh,

Os operadores móveis precisam de adoptar metodologias peer-to-peer (P2P) dentro das suas próprias redes e centrar-se nas vantagens de utilizar P2P assistido e P2P ampliado de modo a mitigar a disrupção.

O seu colega Aditya Kaul, analista senior de tecnologias wireless emergentes acrescenta:

O P2P é geralmente tratado com desprezo pelos operadores e transformou-se na palavra ‘P’ que nunca deve ser mencionada. Isto é mais um problema de atitude do que de engenharia e se os operadores não acordarem para a realidade da situação nem sequer poderemos começar a resolver o problema.

Será que eles estão a falar de algo como a FON, a rede sem fios descentralizada que o argentino Martin Varsavsky está a tentar implementar a nível mundial a partir de Espanha?

Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY 2.0 e pertence a RocketRaccoon.

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Algumas respostas a “O Peer-to-Peer é o culpado. Não! É a solução” :

  1. O Peer-to-Peer é o culpado. Não! É a solução…

    Uma empresa de soluções de “gestão de tráfego” de P2P volta a apresentar um estudo que conclui que o P2P é o principal culpado pelo congestionamento das redes….

    Comentário de diga cultura em 25 Jun 08 01:11.
  2. [...] como no caso da Sandvine que apresentou esta semana um estudo que indicava que o P2P representa só por si 43,5 por cento de todo o tráfego da Rede, a Anagran vende aos ISPs equipamentos que se destinam a fazer esse tipo de traffic shaping, sendo [...]

    Comentário de Co-fundador da Internet critica P2P e BitTorrent | Remixtures em 27 Jun 08 00:00.
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