Qtrax: mais um serviço de música grátis apenas para americano usar Publicado 23 Jun 08

E à terceira é de vez… Não! Infelizmente não foi desta que o Qtrax, o serviço legal e grátis de P2P começou a dar música de borla ao mundo. Há cerca de semana e meia, a empresa anunciou que o serviço ia ser oficialmente lançado a 18 de Junho. Quer dizer, de facto, ele já abriu, mas a verdade é que o lançamento deixou muita gente algo chateada. Se bem que tendo em conta o historial de fracassos anteriores do Qtrax, por esta altura já ninguém fica desapontado quando se verifica que a experiência final fica aquém das promessas.
Um aspecto negativo que se confirma é que tal como o seu rival SpiralFrog, o Qtrax apenas se encontra disponível para utilizadores residentes nos Estados Unidos. Mas o problema aqui não é tanto da empresa mas sim das quatro maiores companhias discográficas do mundo que continuam a cobrar quantias enormes pelo licenciamento dos seus catálogos para outras zonas do globo. O resultado é uma balcanização crescente do mercado de música online onde os mercados mais pequenos e periféricos acabam por ser excluídos.
A aplicação do Qtrax baseia-se no leitor de música do projecto Songbird da fundação Mozilla para reproduzir as músicas que os utilizadores descarregam. Daí que em teoria, não haja nenhum impedimento para que não exista uma versão compatível com Mac, Windows e Linux da sua aplicação. Mas uma vez que as músicas se encontram “protegidas” com a tecnologia de Gestão Digital de Direitos (DRM) do Windows Media, os utilizadores estão por agora limitados ao sistema operativo da Microsoft. A empresa promete lançar posteriormente uma versão para Mac. Mas não se fiem muito nisso: já por altura do lançamento falhado em Janeiro passado eles anunciaram que essa versão estaria disponível em Março.
Quanto ao serviço em si, Eliot Van Buskirk do Listening Post e Bruce Houghton do Hypebot conseguiram de facto descarregar algumas músicas para o leitor. O mais difícil, contudo, é fazer algo com elas dado que só a muito custo se consegue escutá-las. Transferi-las para leitores portáteis de MP3 compatíveis com Windows Media também é, por agora, impossível. Segundo a empresa, os servidores de verificação das licenças tem tido alguns problemas técnicos. Outra falha é que boa parte dos nomes mais famosos da EMI e da Universal Music - as duas majors que assinaram contratos de licenciamento com o serviço - ainda não se encontram disponíveis.
Descontando estas “pequenas” grandes falhas iniciais, continua a ser muito duvidoso que a Qtrax seja capaz de assegurar a sua sustentabilidade financeira recorrendo exclusivamente a publicidade integrada na sua aplicação e à venda de bilhetes para concertos, merchandising e CDs. Ainda na quinta-feira passada Scott Cohen, co-fundador e vice-presidente da distribuidora digital The Orchard afirmou numa conferência em Londres que o dinheiro gerado pelos modelos de negócio de música financiada por publicidade representam apenas uma gota de água no total de receitas estimadas para a publicidade online para este ano.
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