RealPlayer debaixo de olho das editoras por permitir downloads do YouTube e do MySpace Publicado 17 Jun 08
No belo mundo online tal como idealizado pelas grandes editoras discográficas e produtoras de cinema de Hollywood. existem dois conceitos bastante distintos. Um é o streaming, isto é, a mera reprodução de vídeos e músicas através de sites como o YouTube e o MySpace. Apesar da indústria cultural ter inicialmente adoptado uma atitude recalcitrante para com estes sites, ela teve que acabar por se conformar, não sem exigir indemnizações e uma percentagem das suas receitas publicitárias.
O segundo conceito é o downloading de músicas e vídeos, isto é, a cópia dos conteúdos para o disco rígido ou leitor portátil do utilizador. Uma vez que os produtores de conteúdos continuam a equiparar ficheiros digitais a bens tangíveis como terra, carros e casas, o downloading tem sido desde sempre abjurado. Na visão mecanicista destas empresas essa distinção faz todo o sentido. Como o streaming obriga sempre a que o utilizador disponha de uma ligação à Internet, aceda ao site e visualize a publicidade para aceder aos conteúdos que pretende, existe sempre a possibilidade da empresa monetizar esse comportamento.
Acontece que essa distinção é uma grande farsa porque toda a transferência de dados digitais implica a cópia. Sites como o YouTube e o MySpace apenas impedem por meios artificais aquilo a que a Internet e o computador se destinam: a cópia constante e ininterrupta de informação. Neste sentido, existem uma série de programas que permitem gravar para o nosso computador os ficheiros reproduzidos por esses sites. Apesar de até agora não terem sido processados pelos detentores de direitos, aquilo que eles permitem vai para além da lei. No entanto e em grande parte devido ao seu número reduzido de utilizadores, eles continuam a ser ignorados pelas editoras discográficas.
Mas o que acontece se uma grande produtora de software como a RealNetworks introduz numa nova versão de um dos mais populares leitores de media do mundo a possibilidade de gravar as músicas e os vídeos reproduzidos por redes sociais e sites de partilha de vídeos? Bem, aí as coisas mudam de figura e pode mesmo colocar-se a hipótese dos detentores de direitos instaurarem uma acção judicial contra essa companhia. Na verdade, esta funcionalidade do RealPlayer já não é nova - foi introduzida no ano passado com o lançamento da versão 11 do programa - mas nos últimos dias começaram a surgir rumores que apontam para um possivel “berbicacho” legal a curto prazo entre editoras e RealNetworks.
Poucas horas depois da publicação de um artigo no Slashdot onde o autor argumentava que graças ao RealPlayer 11, a Real conseguiu legitimar os serviços de cópia e gravação de streams na medida em que não foi até agora alvo de qualquer processo judicial, a MusicAlly publicou um post que indica algo precisamente na direcção inversa: supostamente, as editoras estão a ficar bastante preocupadas com o facto de qualquer pessoa poder copiar as músicas reproduzidas a partir das páginas dos seus artistas no MySpace. Na sua perspectiva, a situação torna-se ainda mais problemática dado o número crescente de bandas que está a optar por fazer a ante-estreia dos seus novos álbuns a partir da Web (Sigur Rós, Portishead, R.E.M., etc.). Aguardam-se mais desenvolvimentos ao longo desta semana.
Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC 2.0 e pertence a thecameo.
Artigos relacionados:
- Mubito ajuda bandas e editoras a criarem sites em duas horas
- Wikipedia mais forte que MySpace na descoberta de música
- Universal impede streaming de faixas completas no MySpace
- Bookmash descarrega vídeos e músicas da Web via Adobe Air
- MySpace fecha site que permite fazer downloads de MP3s






