
Parece que 2008 vai ser realmente o ano em que teremos acesso online à maior biblioteca de música do mundo. Um dos serviços que promete mais é o Spotify do empreeendedor sueco Daniel Ek – por enquanto ainda em modo beta privado. Acho que a primeira vez que ouvi falar neste serviço foi no Digital Renaissance, não por acaso um blog de origem sueca mas escrito em inglês sobre o futuro do negócio da música criado por Martin J. Thörnkvist (proprietário da editora independente Songs I wish I had written), Mattias Lövkvist (proprietário da etiqueta independente Hybris) e o investigador Daniel Johansson.
Não por acaso, o Martin publicou há dias um artigo onde ele menciona alguns dos tópicos que eles costumam abordar nos seus seminários com executivos da indústria discográfica sueca – sim, por mais estranho que a nós nos pareça, na Suécia as empresas contratam bloggers especializados numa determinada área para dar seminários e workshops… Entre os temas discutidos encontram-se as funcionalidades que um serviço de música do futuro deverá apresentar. Algumas dessas características parecem quanto a mim corresponder ao perfil do Spotify, muito embora eu ainda não o tenha experimentado:
- Toda a música do mundo armazenada no servido de outrem contendo todos os metadados correctos
- Diversas funcionalidades para descoberta de música nova
- Requisitos mínimos de acesso – o pacote básico é grátis para o consumidor mas pago pelos anunciantes
- Diversos modelos de pagamento – cobrar dinheiro apenas onde e quando o consumidor está disposto a isso
- Colocar o utilizador no centro – dar resposta às necessidades dos utilizadores individuais e permitir que eles participem no serviço
- Ligações para os sites dos artistas
- Valor acrescentadado – biografias, letras, merchandising, textos editoriais
- Compatível com todas as plataformas – o serviço deverá funcionar independentemente do widget técnico que usarmos.
Não sei se quando elaborou esta lista o Martin pretendia referir o caso da Spotify mas a verdade é que o serviço cumpre grande parte desses requisitos. O único grande inconveniente que eu vejo no serviço neste momento é que de acordo com o que o Martin Varsavsky (Fon e Jazztel, etc.) referiu em Novembro passado, o Spotify quer ser uma espécie de Joost para a música. Para aceder a esta fabulosa jukebox celestial é preciso descarregar e instalar uma aplicação em separado, o que vai contra a corrente de grande parte dos serviços online multimédia, que parecem deslocar-se cada vez mais para a Web. Pois se precisamente no início desta semana o director executivo da Joost Mike Volpi afirmou numa entrevista ao Silicon Alley Insider que a empresa irá relançar o seu serviço de televisão por Internet dentro de semanas de modo a que possa funcionar através de um navegador da Web…

No entanto, o Spotify não irá apenas permitir ouvir o que quisermos e quando quisermos. Será também possível criar estações de rádio baseadas no nosso artista favorito, tal e qual como na Pandora. A diferença é que segundo Paul Lamere do Duke Listens!, o serviço recorre à base de dados do All Music Guide e não ao genoma da música. A mesma base de dados é utilizada para disponibilizar fotos e capas dos discos dos artistas.
Outras funcionalidades do serviço incluem a possibilidade de escutar música através de rádios dedicadas a géneros musicais e anos específicos e de criar playlists que podem ser guardadas para posterior audição. A boa notícia é que a Spotify parece estar em vias de conseguir estabelecer acordos de licenciamento com todas as quatro maiores editoras discográficas do mundo. Talvez seja aliás precisamente por isso que a abertura do serviço esteja a levar tanto tempo.
Seja como for, apesar da tendência imparável no sentido de uma maior rapidez da velocidade das ligações de banda larga – que favorecem a adesão a estes serviços de cloud computing que oferecem o acesso ubíquo aos conteúdos – também é preciso não esquecer que a progressiva miniaturização dos suportes de armazenamento de dados irá permitir dentro em breve que cada pessoa passe a utilizar o seu disco rígido de 2 a 3 Tbytes guardado no roupeiro de casa ligado a um modesto computador como o seu próprio servidor capaz de fazer streaming de músicas para o telemóvel, iPhone ou outro gadget ainda por inventar. Se o comportamento mafioso das grandes editoras nos ensinou alguma coisa até hoje é que não podemos confiar nunca nelas. O P2P não vai acabar com o surgimento da jukebox celestial. Vai apenas tornar-se mais underground. As pessoas adoram partilhar.
Nota: as imagens que acompanham este artigo estão disponíveis aqui e aqui segundo licença CC-BY-NC-SA 2.0 e pertencem a rsepulveda e factoryjoe.
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Boas.
Sei que n tem nada a ver com este artigo mas… sabes alguma coisa disto:
http://www.jornaldenegocios.pt/index.php?template=SHOWNEWS&id=320686
?
primeiro portugues condenado por partilhar musicas na internet. A noticia está muito vaga…
Cumps
Obrigado pela dica, mas já tinha reparado. Estou a investigar mas acho que não há mais informações. Trata-se de uma pura estratégia de FUD (medo, incerteza e dúvida)