Nas últimas semanas tem sido assim: dia sim, dia não surge mais uma novidade no mercado das subscrições mensais que oferecem downloads “ilimitados” de música. No entanto, muitos analistas garantem a pés juntos que o negócio das assinaturas está a condenado ao fracasso. Talvez eles não andem muito longe da verdade no que diz respeito às ofertas baseadas em DRM, mas já no que toca a um serviço de downloads “à fartazana” de MP3 aí o cenário seria provavelmente diferente.
Veja-se o caso do mercado francês: na semana passada as operadoras de telecomunicações SFR e Orange introduziram dois novos serviços de subscrição que vieram agitar ainda mais um sector já de si bastante preenchido ao acrescentarem a integração PC/telemóvel. No caso da Orange, este ISP conseguiu mesmo fazer com que as quatro grandes editoras discográficas disponibilizassem o seu catálogo.
Mas a resposta da concorrente MusicMe não tardou muito e ontem a empresa de música online anunciou uma redução do valor da sua tarifa mensal de 14,95 euros para 9,90 euros. No total, podem ser descarregadas mais de 1,5 milhões de faixas. A oferta da MusicMe passa assim a ser duplamente mais vantajosa que as das operadoras de telecomunicações uma vez que é dois euros mais barata e oferece o mesmo número de músicas que os dois serviços dos ISPs juntos. Com a vantagem extra dos utilizadores não serem obrigados a subscrever um contrato adicional por uma ligação à Internet ou acesso a rede móvel.
Outra novidade introduzida pela MusicMe é um serviço gratuito de streaming de músicas completas a pedido que oferece o acesso a mais de 3,5 milhões de títulos. Em princípio, esta funcionalidade poderia servir para atacar outros sites como o Deezer ou o Jiwa mas o MusicMe obriga a que o utilizador crie uma conta e indique um endereço de email. Pensando bem, este é um “pequeno” grande obstáculo mental que poderá inibir muitos utilizadores de se inscreverem. Mais ainda, depois de inscritos, a experiência é um pouco decepcionante. No Firefox para Linux eu não consegui ouvir nada.
No entanto, esta guerra de preços que ocorre neste momento na França vai completamente no sentido inverso da decisão da eMusic de aumentar o valor do pacote básico da sua subscrição mensal de MP3, de acordo com a informação divulgada ontem pela Digital Music News. Actualmente, esta modalidade dá a possibilidade do utilizador descarregar até 30 músicas (sem DRM, ao contrário da esmagadora maioria das assinaturas de música) por mês em troca de 9,95 dólares (6,40 euros). Mas a partir de 17 de Julho, o preço passará a ser de 11,95 dólares (7,70 euros).
Este aumento de preços irá afectar os clientes residentes nos Estados Unidos, Reino Unido e União Europeia. Os novos assinantes irão começar já a pagar a nova tarifa. Os actuais 400 mil utilizadores do serviço vão passar a poder descarregar mais dez faixas por mês – uma forma que a eMusic encontrou para convencê-los a continuarem a pagar… Deste modo, cada música passa a custar 30 cêntimos em lugar dos anteriores 33,3 cêntimos.
Outra intenção da empresa é levar os utilizadores a subscreverem as suas ofertas mais generosas, uma vez que a diferença de preços entre os três pacotes deixa de ser tão acentuada: enquanto o plano Plus oferece 50 downloads por mês a um preço de 14,99 dólares, o plano Premium inclui 75 downloads e custa 19,99 dólares. Na opinião de Bruce Houghton do Hypebot, quem acabará por sair mais prejudicado com este aumento de preços serão as editoras e os artistas independentes.
De todas as maneiras, continuo a achar que o modelo de subscrição da eMusic não é lá muito atractivo para a grande maioria dos fãs de música. Estes limites de downloads podem fazer sentido no mercado norte-americano mas os europeus já se habituaram desde há muito à música grátis. Para serem realmente competitivas em relação às alternativas ilegais, as subscrições mensais necessitam de fixar um limite de downloads suficientemente alto no sentido de convencer os utilizadores a pagarem. Infelizmente, parece-me que a eMusic não tem os recursos financeiros necessários para garantir os acordos de licenciamento que um plano desses requer.
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Creio que o eMusic tem dois grandes problemas: os tais limites reduzidos de downloads que referes e o catálogo. Mas creio que, se as editoras querem as pessoas paguem pela música no futuro, terão definitivamente de seguir um modelo deste género.