
Quando no início de Abril Ian Rogers saiu do Yahoo Music para ocupar o cargo de director executivo de uma startup chamada TopSpin Media, a notícia foi comentada por toda a blogosfera de tecnologia ligada à Web 2.0. Afinal de contas, Rogers tinha sido um dos críticos mais veementes da utilização de tecnologia de DRM por parte da Yahoo. Em Outubro de 2007, ele responsabilizou este tipo de medidas tecnológicas de protecção pelo fracasso dos serviços de subscrição de música.
A Yahoo parece ter concordado com ele, pois em Fevereiro deste ano decidiu desfazer-se do seu serviço de assinatura mensal ao passá-lo para a sua concorrente Rhapsody – pertencente à RealNetworks. Na altura da sua saída da Yahoo, Rogers escusou-se a revelar mais pormenores sobre os serviços que a TopSpin pretendia disponibilizar. A única pista que ele deixou foi um link para um artigo da Wired de Março de 1995 sobre a Digidesign, a empresa responsável pelo software de edição e gravação musical ProTools onde o co-fundador e director executivo da companhia Peter Gotcher – que também está envolvido na TopSpin – prognosticava que num futuro próximo os músicos independentes teriam a possibilidade de competir taco-a-taco com as grandes editoras discográficas no negócio da distribuição de música.
Pois bem, parece que esse futuro já chegou e a missão da TopSpin é justamente ajudar os artistas sem contrato e que optam pela via “Faça-Você-Mesmo” da autopublicação a constituírem uma presença online na Web. No final da semana passada, Ian Rogers rompeu finalmente o silêncio sobre o modelo de negócio da sua nova empresa e revelou que a TopSpin foi a companhia que esteve por detrás de boa parte da distribuição digital dos dois últimos discos dos Nine Inch Nails. Sim, isso mesmo: a maioria das cópias de Ghosts I-IV e The Slip que vocês descarregaram partiram dos servidores da TopSpin. Quando as máquinas dos Nine Inch Nails congestionaram, Reznor aceitou a ajuda da startup.
Segundo Rogers, a TopSpin não pretende ser apenas mais uma companhia de serviços de marketing (ao estilo da Nimbit), uma plataforma de promoção de novas bandas (vide ReverbNation) ou de distribuição digital (TuneCore), mas sim uma plataforma de software de marketing. Rogers tem consciência de que esse tipo de serviços estão-se rapidamente a transformar em utilitários (”commodities“) sem valor acrescentado e que, por outro lado, esses segmentos de mercado também já estão a atingir um ponto de saturação.
Daí que a proposta da TopSpin consista em fornecer pacotes completos que incluem assinaturas e edições físicas em CD. Para além dos rockeiros Jubilee e do cantor Josh Rouse e os Dandy Warhols são o nome mais famoso dos exemplos de clientes da TopSpin citados por Rogers. Recentemente saídos da Capitol Records, eles decidiram oferecer um pacote de subscrição pré-lançamento do seu novo disco que inclui o CD físico, MP3 com bitrate de 320 Kbps, um poster gigante e 10 por cento de desconto na loja de merchandising.
O modelo de negócio da empresa parece ser uma aplicação na prática dos príncipios defendidos por Seth Godin para as editoras reverterem a actual crise do negócio da música. Por agora, a plataforma da TopSpin apenas está disponível a um grupo selecto de artistas mas a companhia promete abri-la a outros artistas interessados.
(via TechCrunch e Nerdcore)
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