Se o “download remunerado” já foi uma ideia de modelo de negócio aberto bastante bem pensada pela Trama, o novo projecto do “álbum virtual” que a editora brasileira está a lançar promete ainda mais, ao disponibilizar gratuitamente discos de Elis Regina, Tim Maia e Tom Zé.
Lançado há pouco menos de ano, o download remunerado é um serviço que permite que os utilizadores do site de promoção de novas bandas TramaVirtual descarreguem faixas individuais e que os artistas sejam ao mesmo tempo recompensados mediante um sistema de patrocínios de empresas que estabeleceram parcerias com a Trama. A verba mensal cedida por estas é dividida pelo número total de downloads realizados até ao final de cada mês. Deste modo, cada artista recebe um montante fixo por cada download. Até agora, mais de 55 mil artistas já se registaram no programa.
Com o novo álbum virtual, os objectivos da Trama passam por disponibilizar discos completos online durante um período limitado. Não só álbuns clássicos de artistas já falecidos como Elis Regina e Tim Maia – entre os quais o excelente, magnífico e genial Racional 1 (1975) que foi lançado pela primeira vez em CD apenas em Abril de 2006 -, mas também novos lançamentos. Segundo o G1 da Globo, o primeiro grande nome a ser abrangido pelo programa “álbum virtual” será Tom Zé. Disponível gratuitamente já a partir do dia 20 de Junho no site da Trama, Danç-êh-sá – Ao vivo é uma versão gravada ao vivo de Dança-Êh-Sá (2006).
Contudo, a banda a que coube a honra de fazer a ante-estreia do programa foram os paulistanos Dance of Days com o seu longa-duração A Dança das Estações, lançado a 15 de Maio com o patrocínio da marca de moda jovem Extreme Days. Cada álbum vem com um pacote que inclui todas as faixas em formato MP3 de 320 Kbps, vídeos disponíveis em três resoluções (elevada, baixa e formato para iPod), imagem de capa, fotos, etc. Os álbuns serão posteriormente lançados como CDs tradicionais. De acordo com o que João Marcello Bôscoli, um dos sócio da Trama e filho de Elis Regina, refere numa entrevista à revista Cult (via Ouvidoria), a ideia do “álbum virtual” foi inspirada no modelo de televisão aberta “que oferece conteúdo de graça há décadas e é o patrocinador quem paga.”
Os “velhos do restelo” poderão dizer que o modelo que a Trama está a seguir não faz grande sentido porque ela está basicamente a oferecer de borla o seu produto, os discos. Isso seria, contudo, descurar o que é mais importante: o cenário a longo prazo do negócio da música. E aí a música deve ser vista como um serviço e não um produto. Na verdade, disponibilizar a música segundo um sistema de patrocínio acaba por não prejudicar nem o artista (que recebe dinheiro com isso), nem a editora (que atrai mais utilizadores, artistas e patrocinadores/anunciantes). E quem quiser, pode à mesma comprar o CD mais tarde. Agora, se ao menos uma editora portuguesa seguisse o exemplo da Trama…
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