
As grandes companhias discográficas continuam a querer complicar a vida às empresas da Música 2.0, principalmente aquelas que foram compradas por outros grandes conglomerados multimédia. Na sexta-feira passada surgiu a notícia de que a Warner Music decidiu retirar todo o seu catálogo do serviço de streaming de música a pedido da Last.fm, plataforma de música online que foi comprada em Maio do ano passado pela CBS por 280 milhões de dólares.
Experimentem procurar por Neil Young, Led Zeppelin, White Stripes, Madonna, Flaming Lips, Wilco, Pixies, Muse e R.E.M e irão verificar que não é possível sequer encontrar míseros excertos de 30 segundos destes nomes por lá. Segundo o Silicon Alley Insider, os utilizadores do site podem ainda escutar músicas dos artistas da Warner Music através das rádios personalizadas, dado que este serviço se encontra abrangido por outro acordo de licenciamento.
Tal como seria de esperar, o motivo desta decisão prende-se com o facto da Warner querer que a CBS lhe dê mais dinheiro em troca da concessão do direito a reproduzir as suas músicas online. Especula-se também que a major pretenda que a CBS lhe ofereça sociedade, à semelhança das joint-ventures formada entre as maiores editoras discográficas – incluindo a própria Warner – com o MySpace da News Corp e com o Imeem. Tendo em conta as recentes pressões oriundas de analistas próximos das sociedades de cobrança de direitos de autor, isso não seria muito surpreendente…
Um executivo não identificado da Warner Music teve aliás a lata de afirmar ao New York Times que os termos alcançados com o MySpace Music e o Imeem são mais vantajosos. Pudera! A remoção do catálogo da Warner Music tem também a ver com o serviço grátis de streaming de músicas completas que a Last.fm já oferece desde Janeiro nos Estados Unidos, Grã-Bretanha e Alemanha e que permite ouvir três vezes a mesma faixa. O site encontra-se desde há uns tempos a preparar um serviço de subscrição que irá oferecer o acesso ilimitado a todas as músicas. Aparentemente, a Warner Music fartou-se de esperar e quer que a assinatura seja disponibilizada o quanto antes.
Outro ponto de discórdia é que a Warner Music pretende que a Last.fm pague mais do que aquilo que já paga por cada vez que uma música do catálogo da editora é reproduzida. Finalmente, a major não se contenta em receber apenas uma percentagem das receitas geradas com os anúncios exibidos nas páginas do leitor de música – quer também uma fatia das receitas publicitárias de todas as páginas referentes aos seus conteúdos (playlists, biografias, discussões, etc.).
Enfim, elas querem tudo e não deixam nada. Mas e se o dinheiro gerado em publicidade pela Last.fm não for suficiente para satisfazer o apetite voraz da indústria discográfica? Será que os benefícios que o site oferece devem ser apenas equacionados em termos estritamente económicos? Mesmo para uma grande editora como a Warner existem várias vantagens em disponibilizar a sua música no Last.fm. Pessoalmente, acho que se trata de um óptimo local para obter uma maior exposição para os seus artistas e estabelecer um contacto directo com os fãs. Existem vários sites de streaming de música mas nenhum com uma comunidade tão forte e activa como a da Last.fm. No fim de contas, penso que a Warner irá acabar por voltar a disponibilizar a sua música. O problema é que atitudes como estas apenas contribuem para prejudicar ainda mais a imagem de uma major como a Warner.
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“Tal como seria de esperar, o motivo desta decisão prende-se com o facto da Warner querer que a CBS lhe deia mais dinheiro em troca da concessão do direito a reproduzir as suas músicas online.”
deia? O que é isso?
Foi mal, obrigado por teres reparado