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Adeus, cauda longa: Avril Lavigne ganha 2 milhões de $ graças ao Youtube

by Miguel Caetano on 18 de Julho de 2008

Quem pensa que o sistema da música 2.0 é imune aos problemas de corrupção e suborno que afectam desde há várias décadas a música 1.0 através das rádios e televisões, é melhor ler isto. Todo o mundo que está atento à Web deve ter reparado numa história que circulou aí há pouco menos de um mês atrás de que os fãs de Avril Lavigne tinham lançado uma campanha concertada para levar o vídeo de “Girlfriend” da cantora canadiana de 23 anos ao topo da lista dos mais vistos do Youtube.

Antes da campanha, o vídeo de Lavigne já se encontrava entre os primeiros da tabela mas como a versão oficial da RCA Records (subsidiária da Sony BMG) tinha a opção de embedded desactivada, os Avrilmaníacos decidiram aumentar artificialmente o número de visualizações do vídeo recorrendo a um truque baixo: uma página que recarrega automaticamente o clip de Avril a cada 15 segundos. Para destronar a primeira posição de “Evolution of Dance” de Judson Laipply valia tudo, até mesmo deixar a janela do navegador aberta durante o dia inteiro e abrir várias janelas em simultâneo.

Evolution of Dance

Pois bem, o objectivo parece ter finalmente sido alcançado. Neste momento, “Girlfriend” conta com 92.717.658 views ao passo que “Evolution of Dance” indica 92.706.728 – uma diferença “minúscula” de quase dez mil visualizações. Mas com esta “brincadeira” toda, o que é certo é que Avril Lavigne conseguiu ganhar qualquer coisa como dois milhões de dólares (1,27 milhões de euros) graças ao programa de divisão das receitas do Youtube com os criadores geradas pela publicidade, de acordo com o que Terry McBride, o director executivo da Nettwerk Management – a empresa que gere a carreira de Lavigne – referiu ontem num painel realizado no âmbito da conferência Face to Face with the Millenials

Lá se vai o poder da cauda longa! Não era suposto a campanha de divisão de receitas do Youtube visar acima de tudo ajudar os mais pequenos, aqueles cujos vídeos não passam na MTV nem nas outras estações de televisão? Quais são as chances de uma banda independente e autopublicada poder competir em condições de igualdade com as vedetas fabricadas artificialmente pela indústria discográfica se um pequeno grande grupo de fãs decide manipular as ferramentas da Web 2.0 a favor dos seus ídolos?

(Actualização: através de um comentário a um artigo do NewTeeVee fui ter a uma mensagem dos fãs de Lavigne onde eles declaram que tudo não passou de um hoax para atrair a atenção dos media, gerar mais publicidade e aumentar o número de visualizações, uma vez que a Youtube limita o número de views diário adicionados a um vídeo a um máximo de 200 por cada endereço IP)

O artista como marca ou a marca como artista? 

No mesmo evento, McBride aproveitou ainda para destacar algumas das conclusões do relatório Meet the Millennials que eu já referi aqui. Essencialmente, a estratégia de Terri McBride é associar bandas e artistas a marcas. Contudo, pessoalmente creio que esse tipo de patrocínios e parceriais podem acabar por influenciar negativamente a imagem de uma banda junto da sua base de fãs. É bem verdade que já muito boa gente o fez – inclusive os Sonic Youth com a Starbucks – mas se McBride considera que os artistas devem encarar-se a si próprios como marcas, parece-me totalmente incongruente que ele defenda que os artistas vendam a sua “marca” a outras marcas. A marca de um artista não se vende porque ela depende de uma relação bastante íntima e directa com os fãs. Imaginem o que seria se os Velvet Underground tivessem na sua época aparecido num anúncio da Campbell’s só porque Andy Warhol – o primeiro empresário da banda – tinha ficado famoso pelo seu quadro em canvas com 32 réplicas de latas de sopa dessa marca? O que seria da mística underground dessa banda lendária?

Só para terem uma ideia do tipo de parcerias que McBride adora: um dos pontos que constavam do programa da conferência era um exercício de marketing em que o empresário tentaria arranjar em poucos minutos um plano imaginativo de promoção viral para lançar a carreira de um artista desconhecido. O escolhido foi o músico de folktronica James Yuill e McBride aconselhou-o a criar um anúncio para a Guinness usando como banda sonora uma das suas músicas. Mesmo que eles acabassem por não aceitá-lo ele podia sempre disponibilizá-lo no Youtube. Mas será que o estilo de música de Yuill diz alguma coisa aos apreciadores da cerveja irlandesa? Não me parece…

No fundo, McBride tem algumas ideias bastante razoáveis (ele acha que as editoras deviam baixar o preço dos downloads de singles para 25 cêntimos e dos álbuns para dois dólares de modo a aumentar drasticamente as vendas digitais), mas na sua maioria as suas sugestões não são propriamente muito imaginativas. Transformar os consumidores em co-criadores de valor é, afinal de contas, o grande lema da Web 2.0.

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YouTube: para quê remover os vídeos quando se pode monetizá-los? | Remixtures
1 de Setembro de 2008 ás 11:31

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1 João 18 de Julho de 2008 ás 19:10

Não percebo o porquê do video de avril lavigne não ter passado para o 1ºlugar. Pelo menos quando se entra no Yt e se vai aos mais vistos, aparece em 2º apesar de ter mais visualizações. lol

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2 António 18 de Julho de 2008 ás 20:51

Não tenho aqui a fonte “à mão” mas oficialmente o Youtube conta uma visita por IP e visualização completa. Parece-me mais uma estratégia para gerar buzz.

Não percebo o porquê deste “Adeus Cauda Longa”: qualquer pessoa com talento pode juntar uns trocos graças à visibilidade do Youtube, o próprio Judson é disso um exemplo. De forma alguma é incompatível com as Avril Lavignes deste mundo. Já agora aconselho uma leitura à entrada de hoje do Seth Godin, precisamente sobre isto ( sethgodin.typepad.com/seths_blog/2008/07/the-long-tail-t.html )

ps: Miguel, corrige por favor o link para o comentário na newteevee.

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3 Miguel Caetano 18 de Julho de 2008 ás 21:54

António, é verdade que qualquer pessoa com talento pode juntar uns trocos mas é complicado quanto a atenção está concentrada num artista e ainda por cima alguém arranja um esquema para ludibriar o sistema. Mesmo que a tal página não tenha passado de um hoax, o anúncio funcionou como uma espécie de “placebo” ;-) Obrigadão por teres dado conta dos links. Muitos estavam com um http:// a mais…

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4 António 18 de Julho de 2008 ás 22:10

Mas a atenção sempre vai estar concentrada nuns poucos e esses hão-de sempre tirar partido de todos os meios ao seu alcance para atingir o maior número de pessoas. Eu não creio é que que isso contradiga a cauda longa. A Avril está justamente colocada na cabeça da curva:)

imagem retirada do citado artigo do Seth

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5 António 18 de Julho de 2008 ás 22:10

O wp não me deixou colocar a imagem fica o link para a img:
http://sethgodin.typepad.com/seths_blog/images/2008/07/18/profitpockets583_2.jpg

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6 Miguel Caetano 18 de Julho de 2008 ás 22:51

É, mas esse tipo de mecanismos para aumentar automaticamente o número de views – que também existem no MySpace – colocam em causa as condições de igualdade de circunstâncias e de oportunidades e fazem com que a cauda longa acabe por ficar mais curta. E não estou só a falar de atenção mas também do dinheiro gerado com a publicidade. O gráfico final acaba por ficar enviesado. Isso funciona um pouco como aquilo que os brasileiros chamam de “jabá” nas rádios: quem não tem dinheiro ou não tem uma base razoável de fãs acaba sempre por ficar mais atrás.

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7 leonardo 22 de Julho de 2008 ás 20:22

eu nao acho que o youtube seja apenas para novatos, o espaço é aberto pra todos, vc ja pensou se nao existisse o youtube, as pessoas iam ter q ver os clipes de seus idolos na mtv, e sinceramente eu nao gosto da mtv, lá passa muitas bandas “falsas”, e eu gosto de avril lavigne, nao acredito que ela seja apenas mais uma artista “falsa”, ela sabe o que quer, ela tem a capacidade de se renovar sempre que tem vontande, as pessoas podem falar o que quiserem dela, mas ela o melhor que a maioria dos artitas jamais será, e tem uma frase dela que combina muito com ela, “me ame pelo que sou, me odeie pelo que sou, mas sou o que sou”…

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8 Francisco Costa 8 de Janeiro de 2009 ás 14:52

Já está em #1

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9 Miguel Caetano 8 de Janeiro de 2009 ás 15:00

@Francisco Costa: se reler bem o artigo irá reparar que o vídeo de Lavigne já está em nº 1 há algum tempo: “Pois bem, o objectivo parece ter finalmente sido alcançado. Neste momento, “Girlfriend” conta com 92.717.658 views ao passo que “Evolution of Dance” indica 92.706.728″

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