
Estamos em 2008 e não obstante alguns dinossauros que ainda tentam inutilmente manter o seu monopólio sob o acesso à informação e à cultura (leia-se Associated Press V. bloggers e RIAA/IFPI contra tudo e todos), lá fora parece que a convergência ou mutação entre velhos media novos e novos media continua a todo o vapor.
Em Maio deste ano, o grupo de comunicação social Condé Nast (responsável pelas revistas Wired, New Yorker, Vogue, Portfolio) adquiriu o blog Ars Technica por 25 milhões de dólares. Há exactamente duas semanas atrás, a empresa do jornal britânico The Guardian comprou a ContentNext Media, a companhia de Rafat Ali responsável pelos blogs PaidContent, PaidContent:UK e MocoNews. Mas estes são apenas os negócios que envolveram somas mais avultadas porque todos os meses surgem novas movimentações.
Aliás, no campo dos blogs de música as coisas têm sido igualmente agitadas. Em Abril, a Buzznet, uma empresa responsável por um site de media social que conta como um dos principais accionistas a editora Interscope – subsidiária da gigante Universal Music – comprou logo dois títulos um a seguir ao outro: primeiro o Stereogum por cinco milhões de dólares e depois o Idolator por uma soma não revelada.
Mas se um blog de MP3 vale cinco milhões de dólares, o que dizer de um agregador de blogs de MP3 como o Hype Machine de Anthony Volodkin que permite que os fãs de música pesquisem pelos temas mais recentes das suas bandas favoritas por entre mais de 1500 desses blogs? Até agora, Volodkin tem recusado todas as propostas de aquisição ou fusão com o Hype Machine que lhe foram apresentadas por outras companhias.
Mas na verdade, o único montante concreto de uma dessas ofertas que chegou até hoje ao conhecimento público foi divulgado no final de Abril pelo blog Valleywag que dava como certo que a Viacom – proprietária da MTV, VH1, Nickelodeon, Paramount Pictures, DreamWorks, etc. – tinha oferecido 10 milhões de dólares pelo agregador de blogs de MP3. Contudo, pouco tempo depois Volodkin rejeitou este rumor mas confirmou que se encontrava a negociar com vários potenciais compradores.
Esta semana, a respeitável Fortune – conhecida por ser a “bíblia dos CEOs” – tem um artigo intitulado “Gatekeeper of the MP3 blogosphere” (Porteiro da blogosfera do MP3) onde traça o perfil do Hype Machine e do seu fundador, aproveitando ainda para avaliar as possibilidades do site vir a receber capital de risco, tendo em conta que se encontra numa zona se actuação bastante cinzenta em termos legais. A opinião dos representantes das editoras independentes é unânime: o Hype Machine funciona com um medidor de buzz para avaliar a popularidade de um álbum, acabando por gerar mais interesse pela banda ou pelo artista.
O problema, como é óbvio, reside na RIAA e nas grandes editoras discográficas que à medida que a popularidade do site aumenta – a Fortune refere que o Hypem atrai cerca de um milhão de visitantes por mês, mas dados da Compete relativos a Março indicavam que o número de visitantes únicos se situava apenas nos 127 mil -, poderão não ver com muito bons olhos o descarregamento de músicas sem a sua autorização. Afinal de contas, se elas processam inúmeras startups que apenas permitem o streaming, porque não atacar o “Google” dos blogs de downloads de MP3?
Seja como for, só o destaque concedido pela Fortune ao Hype Machine já indica que Wall Street está com os olhos postos nesta empresa com apenas cinco funcionários e que apenas ganha dinheiro com a publicidade e os links para comprar as músicas na eMusic e o iTunes. A questão agora é quem está disposto a dar mais do que 10 milhões de dólares por um potencial alvo a abater da RIAA? E nós por cá: será que os grupos de media nacionais vão alguma vez aprender algo com os estrangeiros ou pretendem continuar cegos, surdos e mudos para sempre em relação à blogosfera?
Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC-SA 2.0 e pertence a gtmcknight.
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Alguns media mostram alguma abertura para a blogosfera. Pode não ser muito, mas o O Público e a RTP já prestam alguma atenção à blogosfera.