
Sabem o que é um leecher? Nas comunidades de P2P, ele é o personagem mais detestado uma vez que se limita a “sacar” ficheiros sem contribuir com nada. Isso contraria todo o espírito de partilha e do “dar e receber” intrínseco ao funcionamento das redes de Peer-to-Peer. Só por isso, eles são desprezados por todos os outros “partilhadores” que os consideram autênticos parasitas.
Mas às vezes, eles podem ser muito úteis. Mais úteis do que se costuma pensar. Por exemplo, para questionar a fiabilidade das provas recolhidas pelas empresas de combate à pirataria de modo a demonstrar que um determinado utilizador disponibilizou ficheiros protegidos por direitos de autor. Isto porque para as editoras discográficas um partilhador que se limita a descarregar ficheiros não vale de grande coisa perante um tribunal.
Uma vez que os uploaders é que rendem montantes avultados em indemnizações, os antipiratas preocupam-se sobretudo em ir atrás destes. Só que muitas vezes os métodos empregues pelos seus “cães de guarda” dão para o torto. Foi o que aconteceu na Alemanha com a empresa Media Protector que em Outubro de 2007 recolheu dados que indicavam que um utilizador tinha disponibilizado um filme e vídeos pornográficos através do eMule.
Em resposta a um pedido de compensação no valor de 700 euros, a partilhadora em questão não ficou de braços cruzados e apresentou provas de que apenas se limitou a fazer leeching da rede ed2k graças a um mod do eMule designado “0-Upload Mod” que impede o upload de dados e permte aumentar ao máximo a velocidade da sua ligação para os downloads, de acordo com o Heise.de (tradução Google Translator para inglês) via Ars Technica. Na verdade, ela alega que as estatísticas do seu eMule indicam um uptime de 924 dias e um total de uploads de 0 bytes. Quase mil dias sem um reboot do sistema operativo é obra! Ao que tudo indica, a queixa deverá ser retirada dentro em breve.
Este episódio mostra que não é só nos Estados Unidos que a legalidade e fiabilidade dos métodos das empresas ao serviço das grandes editoras e estúdios de cinema – como aconteceu em Abril passado, quando um juiz concluiu que disponibilizar músicas através de uma rede P2P não constitui por si só uma ilegalidade – começa a ser contestada. Vale também a pena lembrar que recentemente um grupo de investigadores norte-americanos conseguiu a proeza de fazer com que três impressoras, um laptop e um ponto de acesso Wifi recebessem intimações por partilhar filmes sem que tivessem alguma vez feito download ou upload de quaisquer dados.
Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC-ND 2.0 e pertence a sunxez.
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provavelmente estava a usar um Sistema Operativo Livre, GNU/Linux ou algum BSD.
rjnunes
Só por ser leecher cara-de-pau tinha que ter se ferrado, mesmo que perdesse pra indústria fonográfica.
Provavelmente esse “uptime” refere-se ao Cumulative Runtime (tempo que o eMule esteve a trabalhar desde que foi instalado).