Links Rapidshare e MegaUpload: antipiratas brasileiros jogam ao jogo do "apaga e põe"

by Miguel Caetano on Julho 14, 2008

A Associação Antipirataria Cinema e Música (APCM), sobre a qual eu escrevi aqui em Agosto de 2007, está resolvida a varrer a Internet dos “malditos” links que dão acesso a pastas comprimidas de ficheiros de música de discos alojadas em serviços como o Rapidshare e o MegaUpload. Outro alvo são as ligações para torrents.

De acordo com um artigo publicado na Folha de São Paulo que eu descobri através do Tiago Dória, só no primeiro semestre de 2008 a APCM conseguiu retirar mais de 161,1 mil links e ficheiros relativos a músicas e filmes protegidos por direitos de autor. Desses links, a maior parte (118,7 mil) refere-se a ficheiros alojados no Rapidshare e MegaUpload. Das redes de P2P como o eMule/eDonkey e o KaZaA/FastTrack foram removidos 20,3 mil ficheiros.

No mesmo período do ano passado, os antipiratas brasileiros apenas conseguiram remover um total de 15,6 mil links. O aumento parece ter sido brutal, eu diria que quase gigantesco. Mas será mesmo assim ou será que esses links eliminados não passam de uma gota de água num enorme oceano de material partlhado às claras por utilizadores sem quaisquer fins comerciais? É bom lembrar que segundo as estimativas da Ipsos Insight num estudo encomendado pela Associação Brasileira de Produtores de Discos (ABPD), em 2005 foram descarregadas da Internet quase 1,1 mil milhões de canções, a grande maioria das quais através de redes P2P.

Isso foi há três anos, quando o acesso à banda larga não era tão generalizado. Que dizer então dos números relativos à realidade actual, tendo em conta que o número de partilhadores brasileiros tem aumentado exponencialmente nos últimos anos? O mais provável é que só durante os primeiros seis meses de 2008 os internautas brasileiros tenham ultrapassado esse número de 1,1 mil milhões. Mas a APCM está no bom caminho. Quem sabe, se ela continuar assim talvez consiga apagar tudo o que há para apagar daqui a 200 anos…

Mas a vida dos funcionários da APCM não é nada fácil. É que os partilhadores não estão parados e sempre que um link ou ficheiro é removida toca a voltar a publicar outro que dá acesso ao mesmo conteúdo. “É um trabalho difícil, porque você remove o arquivo em um dia e no outro [dia] ele já está disponível de novo na internet,” explica Fabiana Botton, analista de Internet da organização.

O mais caricato é que a APCM ainda tem a “lata” de dizer que “o aumento no número de arquivos e sites retirados do ar não reflete necessariamente um aumento na incidência do crime, mas sim a melhora no combate à pirataria no Brasil.” É preciso ter muita “cara de pau”.

Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC-SA 2.0 e pertence a edrabbit.

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