MP3tunes aposta nas playlists de recomendação de música

by Miguel Caetano on Julho 29, 2008

Não obstante os problemas financeiros que afectaram o MP3tunes em consequência do processo judicial instaurado em Novembro do ano passado pela EMI devido à violação dos direitos de autor, o cacifo virtual de música criado pelo empreendedor Michael Robertson ainda mexe.

Robertson está interessado em proporcionar uma experiência do tipo de cloud computing no domínio da música de modo a que os utilizadores possam aceder sempre que quiserem e a partir de qualquer dispositivo com ligação à Internet (Wii, PlayStation 3, TiVo, telemóvel – existe uma API à disposição dos programadores interessados) à sua colecção pessoal de música alojada nos servidores da MP3Tunes.

Só que ele já percebeu que a mais-valia que um cacifo online de música como o MP3tunes oferece aos utilizadores mais avançados não é assim muita em comparação com outras soluções que permitem fazer exactamente o mesmo a partir do iTunes do nosso disco rígido através do recurso a um plugin como o da Simplify Media. Daí que nos últimos dias ele tenha anunciado uma série de novas funcionalidades que permitem descobrir ou recomendar música através de playlists - tudo sem violar os direitos de autor, como é óbvio. Neste momento, a última coisa que Robertson pretende é atiçar ainda mais a fúria das majors

No final da semana passada, a Jamendo anunciou uma parceria com o MP3Tunes que passa pela disponibilização de 10 playlists exclusivas contendo uma selecção dos melhores temas de Rock, Hip-hop, Jazz, Electro, Lounge, Reggae, Metal, Pop, Soft Pop e Lounge. Cada playlist contem dez faixas, o que dá um total de 100 títulos – todos publicados segundo uma licença Creative Commons BY-SA 3.0 que permite o uso comercial – que podem ser livremente adicionadoas à biblioteca de músicas do utilizador. Qualquer pessoa pode criar uma conta no MP3tunes mas o limite das contas grátis é de apenas 2 Gigabytes, o que equivale a 400 músicas com um tamanho de 5 Megabytes.  

Ontem, Robertson anunciou no seu blog um novo sistema de recomendação de música chamado PiMP (este nome pode gerar alguns mal-entendidos…) semelhante ao do Pandora – que por enquanto ainda continua inacessível fora dos Estados Unidos – e da Last.fm. Deste modo, os utilizadores do MP3tunes vão poder a partir de agora escutar músicas de artistas parecidos com outros artistas que constam do seu cacifo ou de géneros musicais em que o cantor ou banda se insere.

No caso do PiMP, contudo, todas as recomendações são das músicas que se encontram guardadas na biblioteca online do utilizador. Para o MP3tunes, isto dá bastante jeito porque evita quaisquer potenciais complicações legais que poderiam advir da utilização de fontes externas. Mas creio que este sistema só se torna realmente útil caso o utilizador seja subscritor de uma conta Premium e tenha mais músicas alojadas na sua conta.

Esta não é a primeira vez que a MP3tunes recorre a tecnologia de recomendação musical. Quando o seu serviço ainda se chamava Oboe, a empresa de Michael Robertson estabeleceu um acordo com a AllMediaGuide (AMG – empresa responsável pelo excelente recurso sobre música AllMusicGuide e que foi de lá para cá adquirida pela Macrovision) para a utilização da Tapestry, uma base de dados de sons semelhantes capaz de gerar uma playlist a partir de uma única música ou artista. Não será por isso de admirar se este PiMP for igualmente baseado na Tapestry da AMG.

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