Universal abre loja de música online Lost Tunes para fundos de catálogo

by Miguel Caetano on 30 de Julho de 2008

Uma das razões pelas quais as editoras discográficas defendem tão acerrimamente a extensão do termo do direitos de autor relativos às gravações de música para os 95 anos é que elas estão sempre à procura de arranjar novas formas de monetizar os fundos de catálogo. Realmente, não há melhor fonte de receitas do que os velhos clássicos de há 30 ou 40 anos.

Uma vez que estes discos pertencem a artistas que já fazem parte do imaginário colectivo de todos nós e cuja obra é transmitida de geração a geração, não é preciso gastar praticamente dinheiro nenhum na sua promoção. Daí que os fundos de catálogo representem sempre dinheiro em caixa, bem como um fruto bastante apetecido por parte das grandes lojas de música online (veja-se o furor que se gera sempre que surge à baila o rumor de que o catálogo dos Beatles poderá ir parar ao iTunes).

A tentativa mais recente por parte de uma major de ganhar alguns cobres extra com os seus fundos de catálogo chama-se Lost Tunes e é um serviço de downloads de música lançado pela subsidiária britânica da Universal Music que utiliza a plataforma tecnológica da retalhista britânica 7Digital. Neste momento, o site disponibiliza em exclusivo 134 álbuns para download no formato MP3 de 320 Kbps sem DRM. Desta vez, a Universal até teve a gentileza de permitir escutar até um minuto das músicas em vez dos habituais 30 segundos.

Apesar do número de discos ser ainda bastante reduzido, a selecção denota um extremo cuidado no que toca à diversificação da oferta: Caetano Veloso, Mutantes, Fela Kuti, Lloyd Cole, Nick Drake, Scott Walker, Moody Blues, Black Uhuru, Teardrop Explodes, 10.000 Maniacs, dEUS – há de tudo um pouco para todas as gerações. Como se pode ler na mensagem de apresentação:

Queremos que nos veja como a sua pequena loja de discos local, dirigida por uma equipa dedicada a ajudar-lhe a descobrir a melhor música. Mais ainda, a Lost Tunes contem uma pilha de discos que não poderá encontrar online em qualquer outro lado.

“Qualquer outro lado”, salvo seja: exceptuando eMules, Rapidshares, sites de torrents, etc. Na verdade, os responsáveis da Universal Music devem estar a referir-se indirectamente ao iTunes da Apple. Quando a UMG começou a vender música online sem DRM já lá vai quase um ano, ela deixou deliberadamente o iTunes de fora da lista dos retalhistas com quem celebrou acordos de licenciamento.

Seja como for e após consultar a loja de MP3 da Amazon e a 7Digital, pude verificar que os álbuns que se encontram actualmente à venda no Lost Tunes são mesmo lançamentos digitais exclusivos que a Universal não distribuiu até hoje a outros serviços de música online (a 7Digital também comercializa grande parte dos discos, mas na versão inferior e protegida com DRM em formato WMA de 192 Kbps).

De acordo com a Billboard, a Universal Music pretende acrescentar mais 500 títulos ao catálogo da Lost Tunes durante os próximos seis meses. Futuramente serão também lançadas versões internacionais do site. Entre as subsidiárias da Universal representadas na loja online contam-se a Trojan, Fiction, Decca, Verve, A&M, Motown e Stax.

Sendo estes discos fundos de catálogo, seria natural que o seu preço de venda fosse mais reduzido do que o habitual. Infelizmente, assim não acontece: a maioria dos álbuns custam 7,99 libras (cerca de 10 euros). Ora, 10 euros é exactamente o mesmo preço que a Apple cobra pelos discos completos no iTunes. Se bem que a maioria venha com DRM e seja de uma qualidade inferior, penso que a Universal faria bem em reconsiderar o seu tarifário. É que é muito mais fácil, cómodo e barato para um fã de música descarregar do Pirate Bay o torrent relativo à discografia completa de Caetano Veloso ou dos Mutantes com uma qualidade bastante razoável do que deixar-se “roubar” pela Universal Music. Mas o que é que eu estou para aqui a dizer? Afinal de contas, o modelo de negócio da Universal foi sempre cobrar mais por aquilo que é gratuito. Não seria agora que ela iria dar-se ao trabalho de oferecer algo mais do que o P2P.   

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1 SMOG 31 de Julho de 2008 ás 1:32

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