Apesar dos resultados “assim-assim”, o patrão da Warner Music quer mais dinheiro dos jogos

by Miguel Caetano on 8 de Agosto de 2008

Edgar Bronfman Jr., CEO da Warner Music Group

O que se passa com as editoras discográficas que elas nunca parecem estar contentes com o sucesso dos outros, mesmo quando os seus resultados financeiros acabam por não ser tão catastróficos como os que os analistas esperavam? Refiro-me em concreto à Warner Music Group.

Ontem, a terceira maior companhia discográfica divulgou as contas relativas ao segundo trimestre fiscal de 2008 que revelam que a empresa conseguiu conter a descida das perdas líquidas: de 17 milhões de dólares (11,33 milhões de euros) registados no mesmo período do ano anterior, a empresa conseguiu apenas registar perdas no valor de 9 milhões de dólares (6 milhões de euros). Por seu lado, as receitas totais até subiram cinco por cento para os 848 milhões de dólares (565 milhões de euros).

Mas o desempenho mais fenomenal foi mesmo o das receitas digitais que subiram 39,3 por cento para um total de 166 milhões de dólares (111 milhões de euros). Neste momento, os downloads digitais e os toques já representam 22,7 por cento das receitas totais da Warner Music. Contrariando a tendência da descida das vendas de música, as receitas derivadas das gravações de música também cresceram 5,1 por cento em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, para os 686 milhões de dólares (457 milhões de euros) – embora tenham descido 1 por cento se utilizarmos preços constantes como termo de comparação.

“As produtoras de jogos para consolas andam a roubar-nos!”

Tudo isto devia ter caído que nem gingas para o patrão da Warner Music Group, na medida em que a WMG conseguiu superar o desempenho das suas rivais. Mas a verdade é que Edgar Bronfman Jr. está preocupado. Como se não bastasse que os principais êxitos de vendas da editora tenham sido discos de Frank Sinatra e Madonna – que não são propriamente artistas recém-chegados aos Tops -, os toques de telemóveis deixaram de crescer e já não dão assim lá muito dinheiro.

Mas Bronfman Jr. está acima de tudo zangado com as produtoras de videojogos como a Activision e a Harmonix (subsidiária da Viacom que também é dona da MTV), responsáveis pelos popularíssimos (e caríssimos…) títulos para consolas Guitar Hero e Rock Band. Apesar do executivo achar que os videojogos constituem uma enorme oportunidade, ele acha que essas empresas estão a ganhar dinheiro à custa de conteúdos que pertencem à indústria discográfica e exige que elas paguem mais à Warner Music e às outras três grandes editoras do que estas já estão a receber. Caso contrário, a WMG poderá deixar de licenciar as suas música para esses jogos.

Segundo Bronfman, as produtoras de jogos pagam uma taxa de licenciamento por música que é insignificante e que o montante dos royalties derivados da exploração comercial ou da venda de downloads das faixas é bastante inferior ao seu valor real.  E ao que parece, o director executivo da WMG também não se contenta com os quase 70 por cento que as editoras recebem de percentagem do dinheiro gerado pela venda de uma música de 99 cêntimos na loja online do iTunes da Apple. O CEO foi mesmo ao ponto de estabelecer uma comparação entre a situação actual com as produtoras de jogos, a Apple e a MTV.

Na sua opinião, tratam-se tudo de “ecossistemas em que empresas que não investiram na criação de gravações de discos acabaram por ficar com a maioria do valor criado nesse ecossistema.” A MTV é metida aqui ao barulho porque inicialmente a estação de televisão não pagava direitos de autor às editoras pelos vídeos uma vez que estes eram entendidos como veículos promocionais. Actualmente, a situação já não é assim: as editoras cobram taxas de licenciamento por cada clip exibido.

Mas a questão é que caso a Warner Music concretize as suas ameaças – e a recente remoção do seu catálogo da Last.fm mostra que ela é bem capaz disso -, as produtoras de jogos podem em contrapartida gravar versões bastante semelhantes aos temas originais gravados em disco sem a autorização da editora e mediante o pagamento de uma licença ao publisher, como Peter Kafka refe no Silicon Alley Insider. Na verdade, acho que o sonho secreto de Bronfman era receber uma percentagem das vendas dos iPods e dos periféricos para os jogos. Afinal de contas, é aí que está o dinheiro… Mas que legitimidade é que ele tem para exigir isso?

Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC-SA 2.0 e pertence a joesixpacktech.

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