
O P2P tem sido acusado de tudo e mais alguma coisa: de tecnologia favorita de pedófilos, cibercriminosos e terroristas a monstro devorador de largura de banda. Baseando-se no mito de que mais de 90 por cento dos ficheiros partilhados via peer-to-peer não são autorizados pelos titulares de direitos, os ISPs sentem-se legitimados a aplicar tecnologias de filtragem de conteúdos ao eMule e ao BitTorrent. Por outro lado e não obstante o puxão de orelhas aplicado pela FCC à Comcast, os casos de fornecedores de acesso à Internet que decidem aplicar medidas de gestão da sua rede do tipo traffic shaping sucedem-se um pouco por todo o mundo (alô, Zon/Netcabo?).
Contudo, nos últimos meses têm surgido alguns dados que indicam que afinal o P2P já não é tão mau como o pintam. Em Abril passado dei aqui conta de dados divulgados pela Arbor Networks que indicavam que apenas 20 por cento do tráfego se refere a aplicações de P2P e que durante as horas de pico de tráfego, 70 por cento dos subscritores usam HTTP ao passo que 20 por cento usam P2P. Recentemente, graças ao DSL Reports tive acesso a uma mensagem enviada pelo analista Dave Burstein para a lista de correio electrónico Interesting People que cita dados da operadora de telecomunicações norte-americana AT&T que indicam que o P2P está a perder o peso que tinha até há pouco em termos do tráfego total da rede de DSL daquele ISP. Em contrapartida os serviços de streaming de vídeo via Web como o YouTube e o Hulu estão a crescer bastante.
Segundo a AT&T que é um dos maiores ISPs, senão o maior dos EUA – com mais de 71 milhões de assinantes -, em Junho o tráfego de downstream às horas de maior pico em dias de semana foi de um terço para o streaming de dados não relacionados com vídeo e áudio via Web, outro um terço para o streaming de áudio e vídeo e um quinto para o P2P. Durante um certo período do ano passado o tráfego de P2P chegou até a descer 20 por cento. Embora nos últimos meses o P2P tenha voltado a subir, o ritmo de crescimento foi inferior ao registado nos conteúdos áudio e vídeo transmitidos através da Web.
Como Burstein refere, isto quer dizer que as medidas de traffic shaping que visam limitar a largura de banda do P2P já não importam assim lá muito e a médio prazo tendem mesmo a tornar-se inúteis . É nesse sentido que a AT&T pretende começar a testar já em Outono um novo sistema de tarifários baseados no nível de consumo de largura de banda por mês em termos de Gigabytes – por sinal, bastante semelhante ao que vigora por terras portuguesas. Parece que mesmo nos EUA a promessa da banda larga ilimitada se está a revelar pura e simplesmente impossível de concretizar. Por outro lado, acho que alguém anda a ver vídeos foleiros a mais
Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC-SA 2.0 e pertence a sumoto.iki.
Se gostou deste artigo, porque não deixa a sua opinião nos comentários e subscreve o feed de RSS? Obrigado!
Artigos relacionados:
- Apesar de bloqueado por ISP, Pirate Bay aumenta tráfego na Dinamarca
- Empresário dos U2 culpa ISPs e Silicon Valley pela descida das vendas de música
- Britânicos partilham menos ficheiros e vêem mais vídeos via streaming
- Congestionamento da Rede: a culpa já não é do P2P
- Crescimento do P2P começa a abrandar mas RapidShare não pára de subir

