
Como se já não bastassem as inúmeras cópias do SellaBand que se pode encontrar actualmente na Web, eis que surge mais um desses clones de seu nome Bandstocks. O funcionamento consiste basicamente no mesmo tipo de crowdfunding: os fãs de música podem investir um mínimo de dez libras numa banda sem contrato e quando esse grupo conseguir recolher um montante previamente definido o dinheiro é usado para gravar e promover um álbum.
Mas ao contrário do SellaBand e dos seus múltiplos clones, o Bandstocks pretende distinguir-se pela qualidade, pelo que nem todo o artista que se inscrever e fizer o upload de músicas pode beneficiar dos investimentos efectuados pelos fãs. Os organizadores do site implementaram um “mecanismo de controlo de qualidade” de modo a filtrar aquelas bandas que na sua opinião não prestam. É claro que essa selecção subjectiva pode funcionar como uma garantia adicional para os investidores de que o seu dinheiro irá para um grupo com reais possibilidades de se tornar um sucesso de vendas.
Mas vendo as coisas por outro prisma, isto não passa de uma deturpação do conceito original de crowdfunding em que o público que tem a possibilidade de escolher quais as bandas que merecem o seu dinheiro. O que este processo de selecção do BandStocks traz é apenas mais uma barreira artificial de intermediação. De momento, os fãs apenas podem investir em duas bandas, os frYars e os Jersey Budd.
Quanto às regalias que o site oferece aos fãs, estas incluem um download grátis do disco a editar, o direito a comprar uma edição limitada e autografada do CD a um preço de desconto e a ver o seu nome incluído na primeira edição do álbum, bem como a possibilidade de adquirir antes do público em geral bilhetes para concertos das bandas.
Por fim, os investidores têm ainda direito a receber 30 por cento das receitas geradas com as vendas do disco e acordos de licenciamento. Por seu lado, os artistas ficam com 50 por cento ao passo que a empresa responsável pelo site arrecada 20 por cento. Ao fim de cinco anos, os direitos sobre o álbum revertem totalmente para a banda. Infelizmente, apenas os cidadãos residentes no Reino Unido podem por agora investir nas bandas do Bandstocks mas os artistas residentes noutros países têm toda a liberdade para se inscreverem.
Segundo o The Guardian, o Bandstocks resulta de uma ideia que Andrew Lewis, um advogado especializado em direitos de autor, tem vindo a tentar implementar desde há quatro anos atrás, muito antes do surgimento do SellaBand e do SliceThePie. Outros accionistas do site são Steve Pankhurst, o criador da rede social britânica Friends Reunited que permite encontrar antigos colegas do liceu ou da universidade. O site conta ainda com investimento da fabricante de discos em vinil The Vinyl Factory. Também envolvidos no projecto estão Mark Lewis e Martin Toher, os fundadores da B-Unique – editora dos Kaiser Chiefs e Primal Scream -, que irão avaliar as candidaturas dos artistas.
(via No Rock And Roll Fun)
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E não são só esses os defeitos do BandStocks…