BBC prepara loja de música e vídeo online com publicidade

by Miguel Caetano on 28 de Agosto de 2008

Não fazia ideia de que a estação pública de televisão British Broadcasting Cooperation, mais conhecida por BBC, tinha um braço comercial chamado BBC Worldwide que até dá lucro (cerca de 118 milhões de libras -146,7 milhões de euros – no ano fiscal terminado em 31 de Março), o que não deixa de ser positivo porque aparentemente este dinheiro serve para financiar uma “programação de serviço público”. Só que há algumas empresas rivais (ITV…) que não gostam lá muito que a BBC ganhe tanto dinheiro com a BBC Worldwide à custa da exploração dos seus arquivos que foram originalmente pagos com o dinheiro dos contribuintes.

Eu que não conhecia a história dessa empresa comercial mas de capitais públicos (?! – onde é que eu já vi isto?) fiquei algo admirado com a mais recente iniciativa de monetização desse enorme baú de recordações colectivas por parte da BBC Worldwide. Não sou propriamente um perito na indústria da televisão mas não acho muito apropriado que uma estação de televisão pública decida lançar um serviço de música online e desta forma entrar em concorrência directa com o iTunes da Apple e a Amazon.

Mas é justamente uma plataforma online financiada por publicidade que a BBC Worldwide está a ponderar lançar no final do ano e que irá disponibilizar downloads pagos e o streaming grátis de conteúdos áudio e vídeo do vastíssimo catálogo musical da BBC que inclui programas de televisão como o lendário Top of the Pops e a cobertura do Festival de Glastonbury e dos Concertos Promenade (mais conhecidos por The Proms), de acordo com o Brand Republic (via Distorted-Loop).

O serviço deverá abrir numa versão de testes já em Novembro com cerca de mil faixas – 300 das quais pertencendo a uma série de programas radiofónicos e televisivos da BBC -, estando o lançamento oficial marcado para Janeiro. A longo prazo, a BBC quer rentabilizar os mais de 15 mil programas musicais que foram pagos pelos contribuintes britânicos, o que corresponde a 50 mil músicas e três mil horas de conteúdos vídeo. 

No entanto, o serviço ainda terá que ser aprovado pelo BBC Trust, a entidade independente que monitoriza e controla todas as actividades da BBC. Caso este quadro deia luz verde ao projecto, os downloads deverão ser vendidos a 79 pences (o mesmo preço praticado na loja do iTunes no Reino Unido) num formato sem DRM. E se o streaming dos ficheiros será gratuito, a contrapartida que os executivos e gestores da BBC Wordwide arranjaram para monetizar  à força toda conteúdos pagos por todos os cidadãos é espetar com irritantes anúncios antes, durante e depois da reprodução, bem como banners da DoubleClick da Google.

Isto é o cúmulo das relações promiscuas entre público e privado no sector da comunicação social!! Estes arquivos pertencem aos cidadãos britânicos, foram pagos por eles. Posto isto, não vejo qualquer motivo para que eles não possam aceder livremente a eles, sem terem que contornar publicidade irritante. Se exigir downloads grátis sem DRM é pedir demasiado – devido aos direitos de autor de terceiros -, ao menos que não conspurquem o site. Ou a BBC é uma estação pública ou então é uma companhia privada com fins comerciais que não merece o dinheiro dos contribuintes.

Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC-ND 2.0 e pertence a Martin Deutsch.

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