
Já nem a Apple escapa à “Grande Muralha da China”, a firewall gigantesca erguida pelo governo da República Popular da China para impedir que os seus cidadãos possam aceder a sites com conteúdos “subversivos”- Agora, os censores chineses decidiram bloquear o acesso à loja online do iTunes alegadamente por terem descoberto que vários atletas olímpicos tiveram o descaramento de descarregar a compilação Songs For Tibet que inclui 20 temas pertencentes a artistas como Sting, Moby, Alanis Morissette, Ben Harper. Suzanne Vega e Dave Matthews, de acordo com o Sidney Morning Herald (via Coolfer)
O álbum foi lançado a 5 de Agosto na loja online do iTunes – três dias antes do início dos Jogos Olímpicos e consiste numa iniciativa da Fundação The Art Of Peace para exprimir publicamente a solidariedade de todos os artistas participantes pela causa do Tibete e do Dalai Lama. Em apenas dois dias o disco chegou ao primeiro lugar do Top dos discos mais vendidos no iTunes a nível global.
O que parece ter levado as autoridades chinesas a vedar o acesso ao iTunes foi o comunicado emitido esta semana pela Fundação The Art Of Peace que refere que “cerca de 40 atletas olímpicos da América do Norte, Europa e mesmo Pequim” tinham usado cartões de downloads oferecidos por aquela ONG para descarregar gratuitamente o álbum.
As primeiras dificuldades técnicas no acesso à loja começaram a ser sentidas esta segunda-feira pelos utilizadores chineses do iTunes. Quando questionada sobre a origem destes problemas, a Apple atribuiu as falhas a um bloqueio instaurado a partir de certas regiões da China.
A verdade é que o sucesso desta compilação em favor da causa tibetana já levou alguns órgão chineses de comunicação social próximos do governo – como o China.org.cn – a apelarem a um boicote de todos os produtos da Apple por parte dos consumidores chineses, o que não deixa de ser uma situação complicada para a empresa de Steve Jobs que abriu recentemente a sua primeira Apple Store em Pequim e que se encontra a negociar o lançamento comercial do iPhone no país com algumas operadoras de telecomunicações. Há até quem vá ainda mais longe e pretenda proibir a entrada de todos os artistas e produtores incluídos na compilação.
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