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Filtros não conseguem identificar conteúdos ilegais em redes de P2P Publicado 5 Ago 08

Numa altura em que o governo de George W. Bush se prepara para aprovar uma lei que obrigará as universidades norte-americanas a adoptarem planos de filtragem de conteúdos e poucas semanas depois de seis ISPs britânicos terem assinado um memorando com a indústria do disco e do cinema que prevê a aplicação de “medidas técnicas” aos partilhadores reincidentes, a Autoridade Australiana para os Media e as Comunicações (ACMA) acaba de publicar um relatório que demonstra que apesar dos progressos verificados no domínio das tecnologias de filtragem de conteúdos online nos últimos três anos, estas continuam a ser bastante “burras”.

O documento integra os resultados de uma série de testes de filtragem de conteúdos na Internet ao nível do fornecedor de acesso à Internet realizados pelo Departamento de Banda Larga, Comunicações e Economia Digital do governo australiano segundo os quais embora os produtos testados sejam capazes de filtrar sites da Web que disponibilizam conteúdos ilegais/inapropriados ou bloquear protocolos de rede P2P como o BitTorrent, eles não conseguem identificar os conteúdos ilegais ou inapropriados partilhados nas redes de partilha de ficheiros

Segundo o que se pode ler na página 45, os seis produtos testados - que não foram identificados - apenas conseguem filtrar tráfego HTTP e HTTPS. No que diz respeito a todos os outros serviços e protocolos (P2P, instant messaging, email, newsgroups da Usenet ou outros protocolos personalizados), acontece uma de duas situações: ou bloqueiam absolutamente tudo - incluindo material perfeitamente legal e legítimo como distribuições do Linux e outro tipo de software livre, bem como música livre - ou deixam passar tudo. As únicas excepções referem-se a dois produtos que são capazes de identificar determinados conteúdos transportados via email e a outro que consegue identificar material ilegal emitido via streaming.

Aliás, o desempenho dos produtos testados deixa muito a desejar em todos os aspectos: mesmo quando não estão a filtrar activamente conteúdos, os filtros desses produtos provocam uma degradação média da qualidade do serviço (isto é, uma diminuição da velocidade da ligação de Internet) de até 30 por cento. Para cinco produtos, a redução da velocidade é de até 10 por cento. Quando o filtro passou a filtrar activamente, um dos produtos desencadeou uma redução da velocidade na ordem dos 2 por cento; três dos produtos geraram diminuições da velocidade na casa dos 22 a 30 por cento e os restantes provocam uma lentidão superior a 75 por cento. Mas estas percentagens não querem dizer grande coisa  uma vez que pode muito bem acontecer que o produto que causou uma menor redução da velocidade tenha sido o mais ineficaz deles todos, como o Duncan Riley explica.

Apesar destes efeitos nada secundários, os autores do estudo vão ao ponto de querer passar a ideia de que até é aceitável que nestes testes agora realizados apenas 1 a 8 por cento dos sites que exibiam conteúdos legais tenham sido incorrectamente bloqueados já que na edição de 2005 dos mesmos testes essa margem de overblocking se tinha situado entre os seis e os 62 por cento. Mas o que é facto é que a tecnologia é tudo menos perfeita e os enganos acontecem. Para quê começar a censurar a rede se tanto os utilizadores como os fornecedores de conteúdos e outros proprietários de sites acabam por sair prejudicados?

Mas é bom que mais empresas que desenvolvem produtos de filtragem de conteúdos se sintam pelo menos tentadas a colocar as suas soluções à prova. Em Abril, dei aqui conta de um estudo bastante semelhante realizado pela publicação online Internet Evolution e encomendado por um grupo de editoras francesas que foi um fracasso total por “falta de comparência”: apenas duas empresas entre as cinco participantes permitiram a divulgação dos resultados. Como se isso não bastasse, ficámos a saber que os dois produtos foram completamente ineficazes no que diz respeito ao tráfego de P2P encriptado.

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Algumas respostas a “Filtros não conseguem identificar conteúdos ilegais em redes de P2P” :

  1. [...] boa de modo a detectar todos os conteúdos ilegais que passam pela rede da Virgin. A verdade é que todos os estudos realizados até agora demonstram que as tecnologias de filtragem de conteúdos não [...]

    Comentário de Tarifa plana para legalizar downloads via P2P em 2009? | Remixtures em 14 Ago 08 23:52.
  2. [...] divulgados publicamente até hoje demonstram precisamente o contrário: estas soluções são tão ineficazes que as empresas responsáveis pelo seu desenvolvimento se recusam a colocá-las à prova. Aliás, [...]

    Comentário de iSP belga Scarlet diz que filtrar conteúdos ilegais em redes P2P é uma missão impossível | Remixtures em 23 Set 08 22:53.
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