Há exactamente um mês atrás, a Last.fm procedeu a uma renovação do seu interface gráfico. Na altura, os responsáveis pelo site afirmaram que se tratava de um design mais limpo e intuitivo que facilitava a descoberta e a partilha online de música. Mas o que é facto é que muitos utilizadores ficaram bastante desagradados com o novo look por considerarem que a equipa da Last.fm retirou várias funcionalidades bastante prezadas – nomeadamente a agenda personalizada e local de concertos – e por acharem que é menos intuitivo e mais difícil de usar.
Para terem uma ideia da dimensão do protesto, basta pensar que o grupo de discussão “Bring back the old Last.fm” (Tragam de volta a velha Last.fm) é composto por quase 14 mil membros. Este grupo pretende que a Last.fm restitua o interface anterior, senão totalmente pelo menos como opção.
Especulando um pouco a este respeito, poder-se-ia até dizer que ao tentar conquistar um nicho de mercado nos Estados Unidos através de um design claramente influenciado no do Facebook (que naquele país já é a maior rede social que é a segunda maior rede social dos Estados Unidos, com 49 milhões de visitantes únicos em Junho de 2008 segundo a comScore – apenas atrás do MySpace, ) e aproximar-se do gigante Imeem, a Last.fm arrisca-se a perder boa parte da sua principal base de utilizadores, que se situa na Europa.
Mas se o objectivo foi mesmo o de aumentar o tráfego originário dos Estados Unidos, então a remodelação gráfica foi um sucesso, como atestam os números do mais recente relatório do painel Media Metrix da comScore relativos a Julho citados num comunicado divulgado pela Last.fm esta semana que indicam que o site registou um aumento de 20 por cento no número de visitantes únicos e uma subida de 36 por cento no númerto total de minutos despendidos no site pelos utilizadores norte-americanos.
Em termos anuais, a Last.fm cresceu 208 por cento em relação ao mesmo período do ano anterior no que diz respeito ao número total de minutos gastos no site, tendo ainda registado uma subida de 62 por cento no número de visitantes únicos. Isto parece tudo muito bonito, mas a verdade é que a subsidiária da CBS apenas se limita a indicar percentagens. Nada de números absolutos. Mas se olharmos para o desempenho da Last.fm nesta perspectiva e o compararmos com o crescimento do Imeem ou da Pandora – não disponível fora dos Estados Unidos – o cenário fica mais negro, como refere Erick Schonfeld do Tech Crunch que indica números adiantados pela comScore:
Em Junho de 2007, o primeiro mês após ter sido comprada pela CBS, a Last.fm tem 2,5 milhões de visitantes únicos nos Estados Unidos. Um ano mais tarde, em Junho de 2008, tinha 2,4 milhões (…) Em Julho, depois da renovação, tinha 2,9 milhões. Enquanto isso, durante o mesmo período de tempo, quer o Imeem como a Pandora duplicam para sete milhões e 4,8 milhões de visitantes únicos nos Estados Unidos, respectivamente (….)
E em termos do tempo despendidos em cada site (engagement), o Imeem está bastante à frente de ambos, com os visitantes a permanecerem 295 milhões de minutos no site durante o mês de Julho, comparado com os 56 milhões de minutos para a Padora e os 20 milhões de minutos para a Last.fm.
Para comprovar o seu ponto de vista, o blogger inclui um gráfico baseado em dados do Google Trends que mostra que desde o final do ano o Imeem tem-se vindo a distanciar cada vez mais da Last.fm em termos do número de visitas. Mas a verdade é que se utilizarmos como indicador o número de vezes que cada termo foi pesquisado no Google, o cenário muda radicalmente. Agora, será que a CBS fez bem em comprar a Last.fm por 280 milhões de dólares? De facto e pensando bem, talvez a aquisição de um site de música online que era à altura bastante popular na Europa mas quase totalmente desconhecido na América do Norte por um conglomerado multimédia originário dos Estados Unidos não tenha feito grande sentido em termos estritamente económicos. Mas acho que ainda é muito cedo para chegar a uma conclusão definitiva.
Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC-ND 2.0 e pertence a Anne Helmond.
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Uma pequena rectificação: o Facebook, apesar de já ser a maior rede social do mundo em visitantes únicos, nos Estados Unidos encontra-se bastante atrás do MySpace, que tem quase o dobro dos visitantes únicos (73 milhões contra 37 milhões segundo dados de Junho de 2008 da ComScore).
Daniel, obrigado pela correcção. Andei há procura de informação no site da comScore e descobri que segundo os dados de Junho o Facebook conta com 49 milhões de visitantes únicos. De qualquer maneira, eu estava errado.