
Apesar de muitas empresas terem debandado em massa do Second Life, o universo virtual da Linden Labs continua a ser palco de uma vibrante cena musical. O seu circuito de música ao vivo tem tanta qualidade que já há “caça-talentos” de editoras discográficas convencionais há procura de novos artistas e bandas com qualidade pelas salas de concertos do Second Life.
Recentemente, a companhia de artigos multimédia Reality Entertainment assinou um contrato discográfico com um desses músicos virtuais para a edição de CDs físicos e downloads digitais através da sua editora. De seu nome Von Johin, trata-se de um músico de blues natural de Nashville, no estado norte-americano do Tennessee, que costuma tocar todas as quartas-feiras a partir das 20 horas (fuso horário do Second Time – o que corresponde às quatro da madrugada de quinta-feira de Lisboa) no seu próprio clube nocturno no Second Life chamado Blue Note Club.
Foi aí que ele foi descoberto por dois responsáveis da Reality Entertainment que andavam há meses há procurar de artistas para integrarem o seu catálogo, como a empresa refere em comunicado. Os planos da editora passam por permitir que Johin continue a dar os seus concertos de borla no Second Life, bem como pela organização de actuações ao vivo no mundo real e pelo lançamento do álbum estreia do bluesman em versão digital através de lojas online como o iTunes, Amazon, Rhapsody.
Contudo, num artigo de Wagner Au do New World Notes que inclui uma entrevista com Von Johin ficamos a saber que o músico já não se interessa lá muito por tocar ao vivo em pessoa: “Isto é mais divertido. Nada de despesas com gasolina, nada de viagens, audiência global, conheço novas pessoas interessantes, nada de fumo do tabaco, nada de álcool na estrada, nenhumas complicações.”

Se é verdade que hoje em dia toda a gente pode colocar as suas músicas no iTunes ou onde quer que seja recorrendo aos serviços de uma distribuidora digital como a TuneCore, também é verdade que os contratos discográficos continuam a ser bastante importantes, tanto mais não seja por motivos de promoção, inclusão nas playlists das rádios, distribuição em lojas de retalho físicas e grandes superfícies comerciais, marketing, acordos de licenciamento com rádios, televisões e agências de publicidade, sinergias multimédia, etc.
O facto de uma editora não major como a Reality Entertaiment utilizar o Second Life como plataforma de descoberta de novos talentos não deixa de ser uma boa notícia para quem acreditava que o Second Life servia para algo mais do que para grandes companhias multinacionais desperdiçarem dinheiro em ilhas feitas de bits e bytes. Afinal, o mundo virtual da Linden Labs sempre pode funcionar como uma experiência interactiva enriquecedora, capaz de aproximar os fãs dos artistas, alunos dos professores: enfim, como um local de partilha de cultura e conhecimento.
Nota: as imagens que acompanham este artigo estão disponíveis aqui e aqui segundo uma licença CC-BY-NC-ND 2.0 e pertencem a chestnutrau
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