Muxtape offline. Para sempre?

by Miguel Caetano on 19 de Agosto de 2008

Apesar de não ter sido um grande fã do Muxtape, reconheço que o serviço de upload e partilha de playlists de MP3 que podiam ser escutados via streaming por todos a partir de um endereço da Web tinha muitos apreciadores, em especial juntos dos fãs de música mais nostálgicos das velhas mixtapes dos anos 70 e 80 que sentiam que o Muxtape recuperava num ambiente virtual o velho ritual de trocas de cassetes entre amigos que nos ajudou a descobrir tanta música nova.

Mas o que era bom acabou-se. Mais uma vez por culpa da RIAA. Aliás, sempre que um serviço de Música 2.0 fecha as portas é rara a vez que a Associação da Indústria Discográfica Norte-americana não esteja envolvida. Na segunda-feira à noite, poucos dias depois do director executivo da Pandora Tim Westergren ter avisado mais uma vez que o seu serviço de criação de estações de rádio personalizadas poderá vir a fechar caso o governo norte-americano não revogue as novas taxas de royalties impostas no ano passado, os responsáveis pelo Muxtape decidiram suspender temporariamente o serviço.

A única explicação oficial que encontramos para o fecho do serviço está disponível numa mensagem publicada na página inicial do site: “O Muxtape estará indisponível durante um breve período até que consigamos solucionar um problema com a RIAA.” No blog do site, por seu lado, pode-se ler que até hoje nenhum artista ou editora se queixou do serviço e que o site não se encerrou definitivamente.

O Muxtape foi fundado no início de Abril por Justin Ouelette, ex-Vimeo, e conta com um financiamento de Jacob Lodwick, co-fundador deste serviço de partilha de vídeos e que também se encontra a desenvolver uma plataforma de música online.

O grande problema do Muxtape é que tudo indica que até hoje ele não tenha pago quaisquer royalties aos titulares de direitos sobre as músicas em formato MP3 que os utilizadores fizeram o upload. Daí que não admire muito que a RIAA tenha decidido apresentar agora uma lista de exigências aos responsáveis do serviço. Como se pode ler num comunicado em nome da RIAA divulgado pela Billboard:

Ao longo dos últimos meses, exprimimos as nossas preocupações legais com o site e tentámos repetidas vezes colaborar com eles no sentido de remover os conteúdos ilegais. O Muxtape estava a alojar cópias de gravações de som protegidas por direitos de auto sem a autorização dos detentores de direitos. Disponibilizar estas gravações para reprodução via streaming também exige a obtenção da autorização dos detentores de direitos. O Muxtape não obteve autorização das empenhas que integram a nossa associação para alojar ou reproduzir as suas gravações sonoras.

A acrescentar a isto tudo e mais importante ainda, há o facto de alguns utilizadores terem descobrido pouco tempo depois do lançamento do serviço vários estratagemas – entre os quais este script para o Firefox – para contornar a impossibilidade de fazer download das músicas alojadas no site em formato MP3. De forma a bloquear os downloads, Ouelette sugeriu mesmo abandonar o upload de ficheiros MP3.

Contudo, parece que isso não foi suficiente para acalmar a ira da RIAA. No meio disto tudo, só me admira como é que Ouelette e Lodwick tiveram a lata de lançar um serviço de música online sem sequer se darem ao trabalho de resolverem todas as eventuais complicações legais.

A boa nova para os fãs incondicionais de mixtapes online é que existem várias alternativas, entre as quais o Mixwit, o Favtapeque se limita a combinar dados sobre as preferências musicais dos utilizadores na Pandora e na Last.fm com a base de dados de milhares de ficheiros de música do Seeqpod (um motor de pesquisa de MP3 que também se encontra a braços com um processo instaurado pela Warner Music) – ou o mais recente 8Tracks – sobre o qual eu também já escrevi aqui.

Nota: a imagem do meio está disponível aqui segundo uma licença CC-BY 2.0 e pertence a Stuart Frisby.

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