Passados nove anos após o surgimento do Napster, o pioneiro serviço de partilha de ficheiros e não a empresa que “aluga” música com DRM, as grandes companhias discográficas ainda não sabem como digerir um grande sapo chamado P2P. A empresa londrina Playlouder foi criada em 2003 justamente para ajudar a indústria discográfica nesta árdua tarefa.
O modelo original da Playlouder assenta numa oferta de banda larga com uma subscrição mensal de música incluída que por 18 libras (23 libras) dá aos utilizadores o direito de descarregarem com toda a legalidade o número de ficheiros de música que pretendem – até mesmo a partir de redes de P2P ilegais. Mas estes ficheiros não podem ser partilhados com outros utilizadores que não estejam ligados a esse ISP. De forma a recompensar os titulares de direitos, as músicas são monitorizadas pela companhia através do recurso a uma impressão digital que compara o nome da faixa e do artista com uma base de dados de obras. O dinheiro recolhido é em seguida distribuído entre as editoras discográficas e a sociedade de cobrança de direitos de autor MCPS-PRS Alliance.
No entanto, até agora a Playlouder não tem tido grande sucesso em convencer a indústria discográfica. Em Outubro de 2007, referi aqui que a empresa tinha assinado contratos de licenciamento com a EMI, Sony BMG e uma série de editoras independentes. Em falta continuam a estar a Universal Music Group e a Warner Music Group. Terá sido, aliás, devido à ausência desses pesos-pesados do sector que o serviço ainda não tenha sido comercialmente lançado.
Seja como for, a estratégia da Playlouder parece agora residir mais no fornecimento de serviços de “marca branca” a outros ISPs. Esta semana, o PaidContent publicou um artigo “exclusivo” segundo o qual Paul Sanders, o co-fundador da PlayLouder, tinha dado a entender que a sua empresa estaria prestes a assinar um acordo com um dos maiores fornecedores de acesso à Internet no Reino Unido para o desenvolvimento de um serviço de downloads ilimitados de música que pagaria às editoras discográficas pelas músicas descarregadas ilegalmente pelos seus clientes através de redes de P2P como a Gnutella, KaZaA ou e2dk/Kad
Segundo o blogger Robert Andrews, o preço do serviço rondaria as cinco libras (6,30 euros), estando o lançamento previsto já para o início de 2009. Apesar de Sanders não ter chegado a adiantar qualquer nome, o PaidContent garantia que a Virgin Media tinha começado a negociar com a Playlouder no mês passado. A história começou a crescer desproporcionalmente quando a ArsTechnica exagerou um pouco os pormenores e disse que ambas as partes tinham já chegado a acordo: a Playlouder iria instalar equipamento de Deep Packet Inspection (DPI) na infra-estrutura de rede da Virgin Media de modo a detectar material protegido por direitos de autor que circulasse através da rede, ao passo que a Virgin compensaria os detentores de direitos.
Acontece que isso não é de verdade, de acordo com o que Paul Hitchman, director executivo e também co-fundador da Playlouder, afirmou à Billboard. Segundo Hitchman, os rumores são totalmente especulativos pelo que a empresa não tem qualquer anúncio oficial a fazer neste momento. Mesmo assim, ele reconheceu que a sua companhia tem tido conversações com vários ISPs britânicos no sentido de estabelecerem uma parceria para um serviço legal de partilha de músicas. Parece que o seu sócio Sanders se precipitou quando assegurou que a empresa estaria em condições de anunciar um acordo dentro dos próximos meses.
Em relação aos contornos da proposta propriamente dita, não me parece que a eficácia da tecnologia de inspecção de pacotes e marca de água digital da Audible Magic que a Playlouder utiliza seja assim tão boa de modo a detectar todos os conteúdos ilegais que passam pela rede da Virgin. A verdade é que todos os estudos realizados até agora demonstram que as tecnologias de filtragem de conteúdos não conseguem distinguir os conteúdos ilegais dos conteúdos legais.
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