Os consumidores norte-americanos que fizeram o disparate de comprar música nas lojas online ainda no tempo em que as grandes editoras obrigavam a incorporar tecnologia anti-cópia, vulgo DRM, nos ficheiros continuam ainda a pagar pelo seu erro. Depois da Microsoft com a sua MSN Music e a Yahoo, foi agora a vez da cadeia de grandes armazéns Wal-Mart enviar aos clientes da sua loja de downloads um email avisando-os que irá encerrar os seus servidores de DRM no próximo dia 9 de Outubro.
O que aconteceu foi que com o lançamento da sua loja de MP3 sem DRM em Agosto de 2007, os consumidores deixaram de cair na esparrela de comprar ficheiros protegidos por DRM e aí a Wal-Mart chegou à conclusão que já não valia a pena disponibilizar música com medidas tecnológicas de restrição. O resultado é que desde Fevereiro de 2008 que a companhia passou a vender exclusivamente música em formato MP3, livre de quaisquer tecnologias anti-cópia.
Agora, a Wal-Mart decidiu de um momento para o outro encerrar os servidores de DRM que autorizam as faixas adquiridas de modo a que os consumidores as pudessem continuar a ouvi-las noutros dispositivos. Com o fim destes servidores, deixa de ser possível autorizar estas faixas o que quer dizer que os consumidores deixarão de poder reproduzi-las no caso de terem que reinslalar o seu sistema operativo ou de quererem transferi-las para um outro computador ou leitor de música digital.
Tal como no caso da MSN Music e da Yahoo, a Wal-Mart aconselha aos seus consumidores que contornem as DRMs que foi obrigado a impor nas músicas mediante a gravação das canções para CDs áudio, algo que à luz da lei DMCA é ilegal. Mas para além de este processo ser moroso e obrigar a gastar CD-Rs, implica também uma natural degradação da qualidade áudio das músicas.
Como Cory Doctorow refere no BoingBoing, apenas aqueles que pagam para descarregar música correm o risco de a perder. E apesar da culpa destes recorrentes episódios ser esmagadoramente das grandes editoras, a Wal-Mart também tem culpas no cartório pelo modo como está a tratar os clientes. O que a cadeia de grandes superfícies comerciais devia fazer era oferecer-lhes versões em formato MP3 das mesmas músicas que eles compraram no formato WMA com DRM. Afinal de contas, foi exactamente isso que a Yahoo fez.
Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY 2.0 e pertence a Random J.
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