
Não é que eu goste muito de defender a Apple. mas nos últimos tempos a comunicação social anglo-saxónica tem tentado passar a mensagem de que a loja do iTunes estaria à beira de uma debandada generalizada por parte de uma série de artistas descontentes com a teimosia da empresa de Steve Jobs em não permitir a venda de discos exclusivamente no formato de álbum completo.
Recentemente, os AC/DC e os Elbow queixaram-se ao jornal britânico The Telegraph de que o iTunes estava a destruir a integridade artística do formato álbum. De modo a exprimir o seu descontentamento, os lendários rockers australianos optaram mesmo por boicotar o iTunes. Daí que o próximo álbum da banda, Black Ice, que será lançado comercialmente a 20 de Outubro não estará à venda no site de música online da Apple. De acordo com o que o guitarrista Angus Young afirmou,>
Não não gravamos singles mas sim álbuns. Nós sabemos que se estivéssemos no iTunes, uma determinada percentagem de pessoas apenas iria descarregar duas ou três músicas do álbum – e nós não achamos que isso seja representativo do nosso som.
De forma a demonstrar que a banda não precisou do iTunes para os seus discos continuarem a vender bem, Young indica mesmo que Back In Black, o álbum clássico de 1980 dos AC/DC, está prestes a ultrapassar Thriller de Michael Jackson no lugar de disco mais vendido do mundo.
Quem também tem críticas a tecer a respeito do iTunes é o vocalista do grupo britânico de Rock alternativo Elbow Guy Garvey que responsabiliza a loja da Apple pela morte do álbum. Mas onde é que nós já ouvimos este mesmo discurso de demonização do iTunes? Pois é, foi num artigo do Wall Street Journal publicado há precisamente um mês atrás sobre o sucesso de vendas que Kid Rock tem gerado não obstante ter também ele boicotado o iTunes por achar que a percentagem das receitas sobre as vendas dos downloads que vão para o bolso dos artistas é demasiado baixa.
Embalada por este sucesso, a Atlantic Records decidiu seguir a mesma táctica com a cantora Estelle ao decidir retirar o seu álbum do iTunes durante algumas semanas. O resultado foi o que se viu: um trambolhão na tabela de vendas de singles.
Agora, os AC/DC escolheram não colocar o seu novo álbum à venda no iTunes. Mas será que isso vai levar os fãs da banda a dirigirem-se a uma superfície comercial para comprarem o CD completo, só para fazer a vontade à banda? Nem por sombras. Nós já não estamos no século XX onde era possível obrigar o fã a gastar dinheiro para ter um disco só com duas músicas de jeito e o resto chouriços para encher.
Aliás, ao agirem deste modo os AC/DC apenas estão a revelar uma tremenda falta de confiança na qualidade do seu trabalho. Na verdade, é quase como que se estivessem a admitir que já não são capazes de fazer um disco composto de canções que sejam todas elas capazes de interessar aos seus fãs… Como o Bob Lefsetz diz, depois não se admirem que estes acabem por copiar as músicas que prestam a partir de uma rede de partilha de ficheiros. Quer se queira, quer não, o iTunes é o maior ponto de venda de música nos Estados Unidos e é uma completa idiotice uma banda do calibre dos AC/DC não ter os seus discos à venda por lá.
Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-SA 2.0 e pertence a bzo.
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Pois … é que assim só vendem um ou dois singles e os outros que foram feitos só para encher chouriços (ou cds neste caso), que foram feitos à pressa, não dão lucro …
Já não é novidade nenhuma que da maior parte dos albuns comerciais aproveitam-se duas ou três músicas mais trabalhadas e o resto é … o que já se sabe …