Activision diz que editoras é que deviam pagar pela inclusão de músicas em Guitar Hero

by Miguel Caetano on 30 de Setembro de 2008

No início de Agosto, o director executivo da Warner Music Group, Edgar Bronfman Jr., queixou-se das produtoras de videojogos musicais ao afirmar que empresas como a Activison (responsável pela série de videojogos musicais Guitar Hero) e a Harmonix (responsável pelo Rock Band) estavam a pagar taxas de licenciamento insignificantes pelas músicas que incluíam nos seus jogos. O patrão da Warner Music chegou mesmo a ameaçar não estabelecer futuramente mais acordos de licenciamento com estas empresas caso elas não começassem a pagar mais.

Mas na opinião da Activision são as editoras que deveriam pagar para terem o direito de ver as suas músicas incluídas em títulos como o Guitar Hero, tendo em conta o valor promocional que os jogos possuem actualmente.

Numa entrevista ao Wall Street Journal (via Billboard), o director executivo da Activision/Blizzard Robert Kotick justificou a sua afirmação aludindo ao efeito positivo nas vendas de discos de bandas incluídas no Guitar Hero:

Quando observamos o impacto que [Guitar Hero] pode ter numa banda como os Aerosmith, Van Halen ou Metallica, verificamos que é bastante significativo – de tal forma que nos interrogamos se, para esse género de produtos, devíamos sequer pagar algum dinheiro e se não deveria ser o contrário.

Tendo em conta que o product placement é uma fonte de receitas cada vez mais importante no modelo de negócio das produtoras de videojogos, é natural que a Activision comece a colocar a hipótese de cobrar dinheiro às editoras pela inclusão de músicas nos jogos, tal e qual como no caso de outros anunciantes. Para além do mais, Kotick chega mesmo a indicar que as pessoas que comprarm jogos como o Guitar Hero estão mais interessadas nos jogos em si do que em tocar canções específicas:

A maioria dos nossos consumidores irá dizer-vos que eles não compram os produtos com base nos temas que são incluídos mas sim no grau de divertimento que a interpretação das músicas proporciona.

Segundo o patrão da Activision/Blizzard, é o prazer de jogar o Guitar Hero que é mais importante para os fãs , sendo as músicas algo secundário. Mas se as produtoras passarem a cobrar às editoras discográficas para estas verem as suas músicas integradas nos jogos, o mais provável é que elas venham a exigir algo em troca, como por exemplo, o direito de escolherem quais as músicas que pretendem ver incluídas. Se isso acontecer, quem irá ficar prejudicado serão os fãs. Isso é o mesmo que já se passa em muitas rádios comerciais pelo mundo fora. Os americanos designam essa prática de payola, os brasileiro de jabá.

Mas afinal de contas, quem é que nos diz que isso já não poderá estar prestes a acontecer, ainda que sem implicar qualquer transferência de dinheiro entre mãos? Basta lembrar-nos que a Activision está actualmente em pleno processo de fusão com a Blizzard, uma produtora de jogos que pertence à Vivendi, a mesma empresa-mãe da Universal Music Group…

Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC-ND 2.0 e pertence a RXAphotos.

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1 Rafael Evangelista 1 de Outubro de 2008 ás 3:13

O sujeito está errado, o prazer em jogar Guitar Hero está totalmente ligado às músicas contidas. Nem me interesso em tocar as músicas das bandas porcarias que são incluídas. Já tocar YYZ é legal demais.

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