Best Buy agarra Napster para aumentar pressão contra o iTunes

by Miguel Caetano on 15 de Setembro de 2008

O conselho de administração da Napster, a empresa que substituiu o mítico serviço pioneiro de partilha de músicas, anunciou hoje que aceitou a proposta de aquisição da cadeia de comércio a retalho Best Buy no valor de 121 milhões de dólares (84,45 milhões de euros) ou 2,65 dólares por acção (1,88 euros). 

Tendo em conta que as acções da Napster fecharam a 1,36 dólares na sexta-feira passada (96 cêntimos de euro), a Best Buy está a ser extremamente generosa. Bem, a verdade é que desses 121 milhões, a Best Buy apenas irá pagar 54 milhões (38,28 milhões de euros). Os restantes 67 milhões de dólares (47,50 milhões de euros) referem-se a dinheiro vivo e investimentos a curto prazo que se encontravam na posse da Napster.

Com esta aquisição, a Best Buy pretende atacar a loja de música online do iTunes da Apple e lançar o seu próprio serviço de música móvel. Que a Napster tenha sido comprada, não é nada de admirar, dadas as debilitadas circunstâncias financeiras em que a empresa se encontrava que a forçaram mesmo a abandonar a sua oferta de subscrição direccionada para as universidades. Aliás, na semana passada, a companhia tinha mesmo enviado uma carta aos seus accionistas onde alertava para uma possível venda. O que é de admirar é que a Best Buy tenha sido a compradora quando vários analistas davam como certa a compra da Napster pela Rhapsody, a subsidiária da RealNetworks que oferece um serviço rival de assinatura de música protegida por DRM.

Mas pensando bem, na perspectiva dos responsáveis pela Best Buy esta compra até faz algum sentido na medida em que a empresa se encontra em terceiro lugar na lista de maiores retalhistas de música nos Estados Unidos, atrás da iTunes e da Wal-Mart. Tal como esta última, a gigante dos grandes armazéns comerciais tem tentado diversificar a sua oferta para além da venda de CDs que continuam a descer por aí além, tendo inclusive em 2006 lançado uma plataforma de música online assente na tecnologia da Rhapsody.

Um sinal evidente de que só os discos em si já não dão dinheiro é o facto da Best Buy ter recentemente anunciado que iria reduzir o espaço nas suas lojas reservado aos CDs para em seu lugar abrir uma nova secção de instrumentos musicais. Por outro lado, há quem afirme que esta jogada se insere também numa estratégia da Best Buy de tirar partido do serviço da Napster para telemóveis no seu próprio serviço móvel que a empresa deverá lançar até ao final do ano em parceria com a retalhista britânica Carphone Warehouse no valor de 4,2 mil milhões de dólares (cerca de três mil milhões de euros).

Com esta aquisição, a história de cinco anos da Napster enquanto empresa independente chega ao fim. Depois do encerramento do serviço pioneiro de P2P em 2001 por ordem dos tribunais e a mando das grandes editoras, os bens da marca Napster são adquiridos pela Roxio em 2002 por cinco milhões de dólares (3,54 milhões de euros). Pelo meio, a Roxio ainda acaba por comprar o que resta do serviço de música PressPlay da Sony. É preciso no entanto esperar mais de um ano para que a fabricante de software de gravação de CDs e DVDs lançe um serviço pago de subscrição de música que oferece o download ilimitado de faixas – embora protegidas por DRM, o que significa que se trata na prática de um mero aluguer – em troca de uma mensalidade.

Mas apesar das expectativas iniciais elevadas, a forte concorrência do iTunes da Apple e a obrigatoriedade do recurso a tecnologia de DRM para satisfazer as exigências das editoras faz com que o serviço da Napster não consiga ir além dos 760 mil assinantes. Em Maio passado, a empresa tenta ainda contornar a situação através do lançamento de uma loja de downloads de MP3 sem DRM mas por essa altura já o iTunes como a Amazon tinham há muito começado a vender música desprotegida. Era demasiado tarde para fazer diferença… No final, o Napster já era apenas uma máquina de perder dinheiro. Resta saber se a Best Buy conseguirá mudar a fortuna da companhia ou se acabará também ela por vender o Napster à Rhapsody, como alguns sugerem. A avaliar pelos precedentes, parece que não existem motivos para estar optimista: em 2004 outro grande retalhista norte-americano, a Circuit City, comprou o MusicNow, outro serviço de música online. Em 2005, este último acabou por ir parar às mãos da AOL a um preço de saldo.

Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC-SA 2.0 e pertence a cakecosas.

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