Britânicos partilham menos ficheiros e vêem mais vídeos via streaming

by Miguel Caetano on 4 de Setembro de 2008

No início de Agosto referi aqui que a operadora de telecomunicações norte-americana AT&T registou já este ano quebras na ordem de 20 por cento no tráfego de P2P – isto face a um crescimento enorme do tráfego de streaming de vídeo. Mas não é só dos Estados Unidos que surgem sinais de que os sites e serviços de streaming de videos como o Youtube, o Hulu ou o iPlayer da BBC estão a ganhar a guerra contra o P2P.

Esta semana, a Ars Technica divulgou algumas estatísticas publicadas pelo ISP britânico PlusNet em Julho que corroboram esses dados: o tráfego de Peer-to-Peer está de facto a diminuir a olhos vistos. Embora o P2P ainda represente 25,93 por cento do tráfego que passa pela rede da PlusNet, no ano passado essa percentagem era de 35,95 por cento. Convertendo isso em números brutos, verificamos que de 13,4 Terabytes ao dia, as partilhas desceram para 12,2 Terabytes. Em termos diários, o seu peso diminuiu 8,75 por cento face ao ano anterior.

Agora comparem o desempenho do P2P com o streaming cujo tráfego diário cresceu 168,9 por cento entre os clientes da PlusNet durante o período de um ano. Isto muito embora o tráfego global diário de Internet tenha crescido 26,5 por cento ao longo desse ano. Não obstante o facto do streaming ainda contar com apenas 6,57 do tráfego total, se a tendência se prolongar é bastante provável que o streaming ultrapasse os downloads a partir do BitTorrent e eMule dentro de poucos anos.

Segundo a PlusNet, estas transformações podem ser atribuídas tanto à recente campanha de intimidação contra os partilhadores britânicos como ao facto dos produtores de conteúdos estarem lenta mas decididamente a abandonar todas as reticências anteriores em relação à disponibilização dos seus filmes, séries e programas de televisão a partir da Web. Daí a profusão de novos serviços de streaming de vídeo mas também de música que oferecem ao consumidor aquilo que as redes de partilha de ficheiros, as mulas e os torrents não oferecem – comodidade, rapidez, gratificação imediata simplicidade e sobretudo leveza, uma vez que com o streaming não é preciso andar com a tralha toda de ficheiros de música e vídeos atrás que – a brincar, a brincar – conseguem rapidamente ocupar várias centenas de Gigabytes nos nossos discos rígidos.

Agora, será que o dinheiro gerado com a publicidade é suficiente para pagar esses serviços grátis? Mas isso não irá acontecer se as empresas não acabarem com todas as suas reservas e oferecerem um catálogo mais vasto do que aquele que no campo da música Last.fm, Deezer, Jiwa.fm e Grooveshark Lite oferecem. O problema é que muitos dos produtores de conteúdos preferem esperar por dados concretos que demonstrem que compensa disponibilizar o seu catálogo. O que é certo é que se não mudarem rapidamente de posição, os internautas acabarão por fazer streaming dos seus próprios ficheiros do PC para o telemóvel.

Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY 2.0 e pertence a dan taylor.

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Crescimento do P2P começa a abrandar mas RapidShare não pára de subir | Remixtures
1 de Outubro de 2008 ás 18:28

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