Entrevista dos Metallica cancelada após entrevistador admitir ter descarregado versão pirata do novo disco Publicado 15 Set 08

Depois da sua fúria contra o Napster de há cerca de oito anos atrás, os Metallica pareciam ter finalmente aceitado a inevitabilidade da Internet. Eis senão quando a sua editora Universal Music deita tudo a perder. No início do mês, quando uma cópia pré-lançamento do novo álbum da banda Death Magnetic começou a circular nos sites de torrents e redes de partilha de ficheiro, Lars Ulrich surpreendeu meio-mundo ao comentar que se dava por contente porque faltavam poucos dias para o lançamento disco.
De acordo com o baterista dos metaleiros, a “fuga” apenas iria contribuir para promover ainda mais o novo material da banda. De forma a demonstrar ainda mais claramente que a reconciliação dos Metallica com a Internet era sincera, o grupo decidiu mesmo permitir a audição completa de todas as músicas do álbum a partir do seu site antes da data de lançamento comercial.
Quem não entendeu ainda bem esta tentativa dos Metallica de estabelecer uma relação mais sincera e directa com os fãs que vai totalmente ao arrepio de denunciar legalmente um por um os nomes de todas as pessoas que descarregaram MP3s das suas músicas foi a editora da banda, a Universal Music Group.
Um fã dos Metallica chamado Hench que é engenheiro de som de profissão ouviu Death Magnetic e, apesar de ter gostado do disco. achou que ainda seria possível fazer melhor. Vai daí, pegou no seu computador e resolveu cortar algumas partes das faixas que na sua opinião eram irritantes e estavam a mais como “letras foleiras” aqui e ali ou “riffs que se estendiam durante três minutos sem irem a lado nenhum.”
Em seguida, Hench publicou a versão alternativa Death Magnetic: Better, Shorter, Cutted em alguns sites de torrents como o Pirate Bay. Foi aí que o jornalista Jonn Jeppsson do jornal sueco Sydsvenskan a encontrou e descarregou. Na sua crítica a Death Magnetic, Jeppson atribui à versão oficial do disco uma nota de três estrelas apenas em cinco possíveis, justificando a sua avaliação com o uso excessivo de refrões repetidos e a duração enorme das secções instrumentais de certas faixas. Para demonstrar o seu ponto de vista, o crítico refere a versão remisturada de Hench que na sua opinião é bem melhor do que o álbum original na medida em que cada música foi reduzida entre um a quatro minutos e indica onde é que ela pode ser descarregada: “A partir de um site que tem um navio-pirata como logótipo.”
Se elogiar uma versão não original de um disco já vai um pouco além das marcas em relação à margem de manobra permitida a um crítico de música, então que dizer quando esse mesmo crítico admite que “pirateou” o álbum? Como podem adivinhar, isso foi pura e simplesmente demais para Per Sudin, responsável da divisão sueca da Universal Music, que decidiu imediatamente cancelar uma entrevista que os Metallica tinham agendado com o Sydsvenskan e tudo indica que a editora poderá mesmo deixar de enviar material promocional para o jornal. Em declarações ao diário Dagens Media, Sudin afirmou o seguinte.
O crítico fez referência a um ficheiro torrent em que alguém alterou as canções originais. O crítico explica exactamente onde é que é possível descarregar o ficheiro que infringe completamente o direito de autor. Não se trata apenas de um ficheiro ilegal, mas também de um ficheiro modificado. O crítico escreve ainda que é assim que o álbum deveria ter soado. A partilha de ficheiros de música é ilegal. Ponto final. Não há nada para discutir. O facto do Sydsvenskan empregar um escritor que descarregou esta música ilegalmente e que de seguida menciona um site ilegal na sua crítica é totalmente inaceitável para nós
Estas palavras são a prova real de que a indústria discográfica não está de modo algum preparada para a mudança e que prefere continuar a perseguir alegremente os seus fãs, como o seu sector não está a passar por uma crise terrível sem precedentes na história recente. Mas se os executivos se estão nas tintas para as necessidades dos fãs de acederem à música da forma como, quando e onde querem, os fãs também se estão nas tintas em relação à necessidade imperiosa das editoras de ganharem dinheiro às suas contas. E no final, os fãs é que mandam.
Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC-ND 2.0 e pertence a Anne Helmond.
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Essa história é linda! emblemática! Tinha que ser com o Metallica!
Comentário de Leo Germani em 15 Set 08 21:24.