This page has been designed specifically for the printed screen. It may look different than the page you were viewing on the web.
Please recycle it when you're done reading.

The URI for this page is { http://remixtures.com }

ISP belga Scarlet diz que filtrar conteúdos ilegais em redes P2P é uma missão impossível Publicado 23 Set 08

Um pouco por todo o mundo, as associações de defesa dos direitos de autor estão a tentar convencer os tribunais a obrigar os fornecedores de acesso à Internet a implementarem sistemas de filtragem de redes de partilha de ficheiros. Na opinião destas entidades representantes dos interesses das grandes editoras e estúdios de Hollywood, não só os ISPs devem assumir a responsabilidade legal pelas infracções ao direito de autor cometidas pelos seus clientes, como a tecnologia disponível é suficientemente eficaz para identificar e bloquear automaticamente todos os downloads sem autorização dos detentores de direitos a partir das suas redes.

No entanto, todos os resultados de testes que foram divulgados publicamente até hoje demonstram precisamente o contrário: estas soluções são tão ineficazes que as empresas responsáveis pelo seu desenvolvimento se recusam a colocá-las à prova. Aliás, as vulnerabilidades destas tecnologias de controlo conduzem por vezes a situações caricatas como impressoras que são acusadas de partilharem filmes via BitTorrent.

Após ter sido condenado a filtrar as redes P2P de todas as músicas protegidas por direitos de autor, o fornecedor de acesso à Internet belga Scarlet afirmou em tribunal que este tipo de medidas é tecnicamente impossível e que a sociedade de cobrança de direitos de autor SABAM enganou a justiça ao ter sustentado o contrário.

A 29 de Junho de 2007, o tribunal de primeira instância de Bruxelas obrigou a Scarlet a bloquear as transferências de todas as músicas pertencentes ao catálogo administrado pela SABAM realizadas a partir da sua rede. Caso não implementasse estas “medidas técnicas avançadas”, a companhia arriscava-se a pagar uma multa de 2500 euros por cada dia para além do prazo estipulado. Aparentemente, o juiz acreditou piamente no testemunho do “perito” em redes de P2P convocado em finais de 2004 para avaliar a viabilidade de um sistema de filtragem de conteúdos. Este especialista apresentou uma lista de onze soluções possíveis, das quais sete poderiam ser aplicadas à rede da Scarlet.

Como os argumentos avançados por este ISP em defesa do direito à vida privada, à inviolabilidade da correspondência e à liberdade de expressão não foram suficientes para demover o magistrado, a Scarlet decidiu recorrer da decisão.

Durante uma audiência organizada na quinta-feira passada, os advogados de defesa da Scarlet afirmaram que é impossível impedir todas as transferências de ficheiros ilícitos na sua rede, de acordo com a Zdnet (via TorrentFreak e Numerama). Isto depois de ter tentado várias outras técnicas que se revelaram igualmente eficazes.

Primeiro, tentou reduzir a velocidade reservada ao tráfego de P2P com a ajuda de tecnologia da Cisco de forma a desencorajar os partilhadores, mas isso apenas suscitou uma série de queixas por parte dos clientes sem que o número de obras ilegais tivesse sofrido qualquer alteração. De acordo com o advogado Christoph Preter, tratou-se de uma mera medida de dissuasão.”

Posta à partida de parte a opção de bloquear todo o tráfego de P2P - uma vez que isso implicaria o acesso dos clientes a uma série de aplicações e conteúdos perfeitamente legais como a aplicação de VoIP Skype ou os downloads de distribuições de Linux via BitTorrent -, a empresa tentou então adoptar a tecnologia de filtragem de conteúdos desenvolvida pela empresa norte-americana Audible Magic sugerida pelo tal perito convidado pelo tribunal. No entanto, segundo Christoph Preter essa solução não apresentou igualmente quaisquer resultados.

No entanto, no ano passado a SABAM tinha convencido o juiz de que a solução de reconhecimento de músicas da Audible Magic tinha já sido anteriormente aplicada com sucesso nos Estados Unidos pela Verizon e na Ásia por um outro fornecedor de acesso à Internet não designado. Apesar dessas informações, a Verizon indicou posteriormente à Scarlet que tinha alguma vez estabelecido uma parceria com a companhia de filtragem de conteúdos. Por seu lado, a Audible Magic recusou-se a revelar a identidade desse ISP asiático. “Fomos induzidos em erro. Mas a SABAM seguiu a opinião do perito que aconselhou a Audible Magic, pelo que agimos de boa fé.” A verdade é que a tecnologia da empresa é completamente ineficaz no que diz respeito às transferências realizadas através de redes descentralizadas de partilha de ficheiros, funcionando apenas com serviços centralizados como o YouTube.

Artigos relacionados:

Trackback URL

Algumas respostas a “ISP belga Scarlet diz que filtrar conteúdos ilegais em redes P2P é uma missão impossível” :

  1. Filtrar conteúdos ilegais em redes P2P é «uma missão impossível»…

    Todos os resultados de testes que foram divulgados publicamente até hoje demonstram que estas soluções são tão ineficazes que as empresas responsáveis pelo seu desenvolvimento se recusam a colocá-las à prova….

    Comentário de diga cultura em 24 Set 08 10:32.
  2. [...] mais de um ano, em Setembro passado a equipa de defesa da Scarlet voltou a tribunal para exigir o cancelamento da ordem uma vez que ambas as soluções se mostraram completamente [...]

    Comentário de ISP belga Scarlet vence sociedade de direitos de autor em tribunal | Remixtures em 27 Out 08 18:28.
Deixe a sua opinião sobre este artigo: