Mercado global da música: “São os concertos, estúpido!” Publicado 11 Set 08

Se houvessem dúvidas sobre a importância crescente dos concertos na economia da música, então um estudo publicado este Verão pela consultora francesa de novos media e Internet IDATE oferece ainda mais provas para nos convencer de que o futuro do sector passa mesmo pela música ao vivo. Segundo esta empresa, em 2011 esta fonte de receitas deverá mesmo ultrapassar o mercado das gravações de música, tanto em formato digital como físico.
Esta previsão corrobora aliás o prognóstico do economista Will Page da sociedade britânica de cobrança de direitos de autor MCPS-PRS Alliance, segundo o qual a música ao vivo deverá tornar-se uma indústria de maior dimensão do que o sector do disco na Grã-Bretanha dentro dos próximos três anos. Outros números que comprovam a valorização dos concertos foram divulgados em Julho pela revista industrial Pollstar, segundo o qual o preço médio dos bilhetes para as 100 maiores digressões pela América do Norte aumentou 5,9 por cento durante o primeiro semestre do ano. Em contrapartida, contudo, o total de receitas brutas não registou grandes alterações.
Segundo os dados do IDATE revelados pelo Philippe Astor no ElectronLibre, embora actualmente as actuações ao vivo estejam atrás das gravações de música (25,6 mil milhões de dólares contra 33,5 milhões de dólares, dados de 2007), seguidos muito de longe pela edição musical (oito mil milhões de dólares), em 2011 a situação deverá inverter-se: enquanto que os concertos deverão crescer 31 por cento para os 33 mil milhões de dólares, os discos deverão descer para os 28,5 mil milhões de dólares, o que equivale a uma quebra de 15 por cento ao longo desses quatro anos.
Deste modo, se o peso dos concertos nas receitas globais do mercado da música deverá subir de 38 por cento em 2007 para 48 por cento em 2011, em contrapartida as gravações de música deverão ver a sua quota de mercado diminuir de 50 por cento em 2007 para 41 por cento em 2011. Quem deverá contribuir mais para essa queda será o mercado físico que diminuirá 48 por cento, situando-se nos 15,3 mil milhões de dólares. Isto irá reflectir-se numa perda de importância no todo do mercado: de 44 por cento em 2007 para 22 por cento em 2011. Contudo, a tão desejada subida do digital não será suficiente para ultrapassar a venda de discos em formatos tradicionais: de seis por cento em 2007 para 19 por cento em 2011.
Quanto ao mercado da edição musical ou publishing, embora a IDATE preveja um ligeiramente crescimento da sua quota de mercado (de 11 para 12 por cento), o valor gerado será ligeiramente inferior: menos 4,7 por cento. No cômputo geral e muito graças ao crescimento fenomenal das receitas dos espectáculos ao vivo, o mercado global da música deverá registar uma subida de quatro por cento (de 67 mil milhões de dólares em 2007 para 69,6 mil milhões de dólares em 2011). Em suma: a indústria da música vai de boa saúde e recomenda-se. Como se isso fosse algo que nós já não soubéssemos…
Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC-ND 2.0 e pertence a thornj.
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Comentário de diga cultura em 12 Set 08 09:54.