O fim do Wippit, a morte de um pioneiro do P2P legal

by Miguel Caetano on Setembro 5, 2008

Muito antes do Qtrax, aquele serviço de música financiado por publicidade que desapontou meio mundo com um lançamento falhado, existia o serviço de P2P legal da Wippit, uma empresa britânica fundada por Paul Myers que oferecia downloads ilimitados por 30 libras ao ano (cerca de 37 euros). O empresário tentou convencer as grandes editoras discográficas a aderirem ao serviço mas isso era evidentemente demais para companhias que continuam a fugir de tudo o que tenha ver com Peer-to-Peer como o diabo foge da cruz – veja-se o exemplo da Playlouder que anda há anos a tentar obter um acordo com as quatro majors.

Infelizmente, ao não ter conseguido as licenças necessárias a Wippit foi obrigada a mudar abruptamente para um modelo de negócio mais convencional, assente nos downloads individuais de músicas à maneira da loja do iTunes. Mas até aí a empresa foi inovadora na medida em que começou a comercializar MP3s sem DRM anos antes das majors permitirem a distribuição comercial do seu catálogo em formatos sem protecção.

Contudo e apesar de ter conseguido estabelecer acordos com a EMI e a Warner Music – para além de patrocínios com companhias como a Easyjet, Motorola, Evening Standard, Duracell e Heineken – isso não foi suficiente para evitar o seu encerramento, de acordo com o Distorted-Loop. Terá sido o domínio avassalador do iTunes no campo dos downloads individuais pagos que conduziu a esse desfecho? É o mais provável.

Em todo o caso, a história do Wippit é significativa porque demonstra como as majors conseguem asfixiar todas as iniciativas pioneiras no sector da música da online, restando apenas aqueles players que têm o arcaboiço financeiro para arcar com os adiantamentos que elas exigem. O problema é que desta forma elas acabaram por alimentar um monstro chamado iTunes que graças a isso adquiriu o poder de ditar as regras do mercado. O pior é que agora elas não se conseguem desenvencilhar dele.

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