O Nokia vem com restrições e defeitos

by Miguel Caetano on 3 de Setembro de 2008

Nos dias de hoje, o que é anunciado como “grátis” pode sair bem caro, sobretudo se o produto ou serviço tiver a ver com telemóveis. Caso concreto: o plano Comes With Music da Nokia que deverá ser lançado no próximo mês no Reino Unido através de uma parceria com a retalhista Carphone Warehouse que irá comercializar uma edição especial do Nokia 5310 XpressMusic a clientes de tarifários pré-pagos.

Eu já desconfiava que o serviço da fabricante finlandesa viria com uma série de restrições mas só ontem é que a Carphone Warehouse divulgou o seu comunicado oficial que divulga mais alguns detalhes sobre a oferta, de acordo com a Music Ally. Para começo de conversa, há que assinalar que as músicas disponibilizadas vão estar protegidas com a tecnologia de DRM da Microsoft para serviços de subscrição, o que significa que os utilizadores terão que pagar uma quantia para poder gravá-las para um CD. Por outro lado, os fãs de música vão poder descarregar as faixas para o seu telemóvel e PC e transferi-las para um novo PC ou telemóvel Nokia durante os 12 meses referentes ao período da subscrição, mas isto apenas de três em três meses.

No final desse ano, os clientes podem continuar a ouvir a música que descarregaram para o seu telemóvel e PC e caso comprarem um novo telemóvel Nokia ou PC terão também o direito de voltarem a descarregar ou a sincronizar os ficheiros baixados nesse período – isto mesmo no caso de optarem por não renovar a sua subscrição. Mas essa possibilidade de fazer redownloads dos temas só é válida durante os dois anos seguintes ao fim da assinatura.

Mas a surpresa desagradável é que os utilizadores serão responsáveis por todas as despesas resultantes das transferências de dados relativas ao serviço. Na prática e tendo em conta que o Comes With Music apenas está disponível para contratos pré-pagos, isto quer dizer que quem quiser descarregar muitas músicas pensando que é tudo à borla poderá acabar por receber uma factura da conta do telemóvel com uma enormidade para pagar.

Basta pensar que o Nokia 5310 é um modelo que nem sequer incorpora suporte para redes 3G quanto mais WiFi para concluir que a definição de plano “ilimitado” da Nokia é bastante subjectiva. A única solução passa por usar o computador para descarregar as músicas e de seguida transferi-las para o telemóvel. Sendo assim, o Nokia Comes With Music transforma-se subitamente em algo bastante parecido com as velhas e estafadas subscrições de música que impingem DRM aos utilizadores como a da Napster que justamente por isso mesmo está pela hora da morte.

Outro ponto que se esconde por detrás das letrinhas pequenas deste contrato é que a Nokia reserva-se o direito de restringir o número de downloads que os utilizadores individuais poderão realizar “se o nível médio de utilização para todos os utilizadores alcançar um determinado patamar pré-definido”. Mais ainda, a companhia refere mesmo a possibilidade de restringir os downloads caso “o utilizador empregue aplicações ou métodos de ligação não suportados.” Quais são esses tais patamares? De que forma é que os limites de downloads serão restringidos? Quais são esses métodos não suportados? A Nokia não responde. Tudo o que sei é que afinal já não estou nada interessado num serviço que engana os consumidores.

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