
Pelos vistos, as autoridades britânicas acreditaram mesmo na história inventada pela Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI) de que o Oink, o lendário e popular tracker de BitTorrent especializado em música encerrado a 23 de Outubro pelas polícias britânica e holandesa no âmbito de uma operação coordenada pela Interpol e que contou com a colaboração da IFPI e da BPI, era mais do que um espaço online para descobrir e saber mais sobre música nova frequentado por muitos melómanos.
Isto porque depois da fiança do administrador do site Alan Ellis ter sido adiada cinco vezes, esta semana o britânico de 25 anos foi finalmente acusado de tentativa de defraudar a indústria discográfica pela polícia da localidade de Cleveland, no Reino Unido, como se pode ler no site do Oink (via Torrent Freak). Ellis terá que se apresentar no próximo dia 24 de Setembro perante um tribunal de primeira instância (Magistrates Court), o qual poderá optar por encaminhar o caso para o Crow Court, um tribunal de 2ª instância
Ou seja, basicamente Ellis foi acusado de interferência no modelo de negócios de uma indústria obsoleta que não sabe ou não consegue concorrer com quem monta um serviço bastante querido pela comunidade que possibilita que milhares de fãs de música um pouco por todo o mundo – incluindo Trent Reznor dos Nine Inch Nails que admitiu ser um dos utilizadores registados – acedam a música em formato digital que raramente se encontra disponível online em formatos sem DRM e a preços acessíveis.
Ao contrário da desinformação veiculada na altura pela BBC, a única fonte de receitas do Oink eram as doações efectuadas pelos membros, mas ninguém era obrigado a tal nem a sua permanência no site dependia de tal coisa. Este dinheiro servia em grande parte para pagar despesas de alojamento, servidores, manutenção e largura de banda. O acesso ao site encontrava-se exclusivamente aberto apenas aos privilegiados que tivessem a sorte de receber um convite de um membro.
Quem também foi apanhado nesta fúria persecutória das grandes editoras discográficas que culminou na extinção do Oink foram seis uploaders, detidos em Junho passado por suspeitas de terem disponibilizado cada um um disco antes da sua data de lançamento comercial. No final de Julho, a polícia removeu todas as acusações contra dois desses suspeitos.
Agora, ao mesmo tempo que a apresentação da acusação formal contra Ellis dois desses uploaders foram acusados de infracção aos direitos de autor por terem disponibilizado um único CD. Embora as autoridades britânicas não o explicitem, existem rumores de que os discos em causa se tratavam de álbuns pré-lançamento. Enquanto isso, o número de utilizadores registados nos trackers alternativos surgidos logo imediatamente após o encerramento do Oink continua a engrossar substancialmente…
Nota: a imagem do porquinho que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC-ND 2.0 e pertence a oinkylicious.
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