Patrão da Vivendi optimista em relação ao futuro da Universal Music

by Miguel Caetano on 17 de Setembro de 2008

Se eu fosse Jean-Bernard Lévy também tinha razões para estar contente. Afinal de contas, ele é o director executivo da Vivendi, a empresa-mãe da maior editora discográfica do mundo. Não obstante o lento declínio das vendas de CDs, a Universal Music. No mês passado, esta major divulgou que a sua margem bruta cresceu 17,7 por cento durante o primeiro semestre de 2008, ao passo que as receitas totais cresceram cinco por cento a preços constantes.

Não admira por isso que ele tenha afirmado numa entrevista ao Financial Times que a Universal vai ser a próxima grande surpresa para os investidores do conglomerado multimédia francês. Lévy acredita mesmo que a indústria discográfica está prestes a dar a volta por cima depois de um longo ciclo de revezes. Aliás, o desempenho recente da editora confirmam o balanço anterior do patrão da Vivendi durante o MIDEM de Cannes, este Janeiro.

O sucesso da Universal Music em comparação com o relativo fracasso das suas rivais Sony BMG, Warner Music e EMI pode ser explicado em grande medida com as inúmeras apostas da editora no sentido da diversificação das fontes de receitas efectuadas desde o despoletar da crise do P2P em meados de 2000.

Fora do mundo online e das gravações de música, um dos maiores investimentos da Universal Music foi a aquisição da britânica Sanctuary, uma empresa que tinha actividades na área do management de artistas e do merchandising, bem como na edição de discos, em Junho de 2007.

Mas as apostas mais recentes da maior companhia discográfica do mundo tiveram todas lugar no sector da música online. Aliás, todos os exemplos citados por Lévy na entrevista ao Financial Times dizem respeito a serviços de música digital com quem a Universal foi a primeira a estabelecer parcerias como o Nokia Comes With Music e o MySpace Music. Não por acaso, especula-se que em ambos os casos as empresas parceiras foram pressionados a conceder regalias bastante generosas de modo a poderem contar com o recheado catálogo da Universal Music.

Quem fica prejudicado com estas negociatas entre gigantes são as editoras independentes e os serviços de música online de menor dimensão que não conseguem gerar dinheiro suficiente para pagar os exorbitantes adiantamentos exigidos pela Universal Music. Outro exemplo de “clube privado” montado entre a major e uma importante empresa de tecnologia foi o acordo estabelecido com a Microsoft mediante o qual a editora passou a receber uma percentagem das vendas do Zune.

Mas há um gigante que parece que se tornou demasiado grande para o gosto da maior companhia discográfica. Esse gigante é a Apple. Até hoje, a Universal recusa-se a permitir que a empresa de Steve Jobs venda o seu catálogo num formato sem DRM, preferindo antes conceder esse privilégio à Amazon ou até mesmo à 7Digital. Em Julho do ano passado, chegou mesmo a ameaçar a marca da maçã de remover todas as suas músicas da loja do iTunes. Aliás, talvez seja pelo facto de a Apple estar à espera de obter a autorização da Universal Music que Steve Jobs ainda não lançou a tão aguardada oferta de música ilimitada do iTunes.

De modo a atrair os fãs de música para os seus domínios, a etiqueta tem mesmo vindo a lançar sites dedicados a nichos especializados como bandas sonoras originais de filmes e fundos de catálogo inéditos online. Como é fácil de entender, estes discos apenas se encontram disponíveis online nesses sites. Intimidar, controlar, extorquir, pressionar, processar. Esta é, em suma, a estratégia da maior editora discográfica do mundo com vista a aniquilar as fontes de resistência como as editoras independentes ou cooptar os serviços de música online mais rebeldes.

Nota: A imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC-SA 2.0 e foi tirada por rsepulveda.

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diga cultura
22 de Setembro de 2008 ás 9:20
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17 de Novembro de 2008 ás 17:27

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