Punk 2.0: ex-vocalista dos Stranglers adere à música livre

by Miguel Caetano on 21 de Setembro de 2008

Apesar dos Stranglers continuarem nos dias de hoje a dar concertos, o espírito do grupo perdeu-se em grande parte com a saída da verdadeira alma da banda, o vocalista Hugh Cornwell, em 1990. Ao longo dos últimos anos, enquanto que a sua antiga banda tem continuado a lançar discos com a chancela de uma major (a EMI), Cornwell tem optado por se manter fiel às origens Punk dos Stranglers, tendo assinado vários trabalhos por pequenas editoras independentes.

Com o seu mais recente álbum Hoover Dam, Cornwell foi ainda mais arrojado e, tal como os Radiohead e os Nine Inch Nails, decidiu oferecer gratuitamente o download do disco na Internet. A partir do site, os fãs do artista podem também encomendar uma edição em embalagem Digipak CD+DVD ou o disco em vinil por um preço de 12,99 libras (16,50 euros). Quem quiser, pode receber o Digipak e o disco em vinil juntos num pacote especial que custa 23,99 libras (cerca de 30,50 euros).

Mas este é apenas uma das partes do modelo de negócio que Cornwell montou. É que segundo refere Mike Masnick do Techdirt, o DVD é composto por um documentário onde o músico revela um pouco ao fã os bastidores do processo de gravação do álbum. Acontece que Cornwell teve também a ideia de passar o filme em algumas salas de cinema. Nessas sessões, ele está presente em pessoa e responde às questões que os fãs lhe colocam. 

A ideia consiste, mais uma vez, em vender aquilo que é escasso (o acesso aos artistas, que vai muito mais para além dos concertos) e oferecer aquilo que é abundante: cópias digitais que toda a gente pode reproduzir em poucos segundos. Se ao menos a indústria discográfica metesse de vez essa lição na sua cabeça, talvez assistíssemos a menos histórias de perseguições legais movidas contra sites/serviços online e partilhadores. 

O que é curioso é que o modelo agora adoptado por Cornwell contrasta em muito com a sua visão um tanto ou quanto negativa sobre o futuro da indústria musical, quando em 2001 referiu a propósito do Napster que se as pessoas começassem a utilizar o serviço para partilhar discos inteiros de borla ele não teria outro remédio senão tornar-se taxista. Pois bem, hoje em dia as pessoas descarregam e partilham discografias inteiras de artistas em poucos minutos via BitTorrent e Cornwell parece ter conseguido adaptar-se ao modelo da música livre sem que tenha sido obrigado a pegar num táxi.

Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC 2.0 e pertence a jethro*.

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diga cultura
22 de Setembro de 2008 ás 8:17

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