Reino Unido integra propaganda contra a partilha de ficheiros no currículo das escolas secundárias

by Miguel Caetano on Setembro 8, 2008

Foi na escola que eu aprendi que era bonito partilhar com os outros. Agora, o governo britânico quer ensinar os estudantes do liceu que partilhar é afinal algo feio e indigno de um cidadão do Reino Unido. Que o sistema de ensino público sempre funcionou como uma máquina de endoutrinação ao serviço dos interesses instalados era algo que já nós sabíamos.

Contudo, é preciso ter muito descaramento para ceder aos caprichos da indústria discográfica precisamente numa altura em que esta se encontra em guerra com os partilhadores britânicos e em que, não obstante, a esmagadora maioria da população encara com naturalidade aquilo que as editoras chamam de “pirataria”.

Com o início do novo ano lectivo na semana passada no Reino Unido os estudantes vão deparar-se com uma série de matérias novas introduzidas no currículo. Para além das aulas de Inglês passarem a contar com novelas de autores contemporâneos e do programa de Geografia incluir assuntos na ordem do dia como as mudanças climáticas, as aulas de Música vão também passar a abordar temas como “os direitos de propriedade intelectual na indústria da música e o modo como eles se relacionam com os downloads“, de acordo com o Telegraph (via Distorted-Loop).

O jornal não especifica em pormenor os conteúdos dessas aulas mas à partida e sem saber mais nada a respeito deste novo programa, parece-me bastante lamentável que o governo britânico tenha decidido alocar uma parte do tempo das aulas de Música que era muito provavelmente até aqui concedido à aprendizagem de instrumentos musicais para algo que tem apenas indirectamente algo a ver com Educação Musical. Mais importante do que discutir temas da “actualidade” é ensinar os alunos a ler uma pauta de música, a tocar um instrumento e a compor.

O resto é puramente acessório e tem a ver com a consciência moral de cada um. O resto resvala quase sempre para o terreno bastante perigoso da endoutrinação e da lavagem cerebral. Ao menos se este novo currículo ensinasse aos miúdos que descarregar MP3s não é crime e que existem outras alternativas para além do sistema parasítico de direitos de autor que apenas favorece as grandes editoras como as licenças Creative Commons que fomentam e incentivam a partilha, já me dava por satisfeito…

Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC 2.0 e pertence a Scuddr.

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