
Nos últimos tempos, têm surgido uma série de anúncios relativos a acordos negociados entre fornecedores de acesso à Internet britânicos e as grandes editoras discográficas com vista ao lançamento de serviços de subscrição e até mesmo de ofertas de P2P legal. Em troca da possibilidade de abrirem esses serviços os ISPs encarregam-se de enviar cartinhas aos malvados partilhadores em nome das majors.
Como podem ver, o plano dá muito jeito a ambas as partes. Excepto todos os outros, inclusive as lojas de downloads legais como a do iTunes e a eMusic que vêm assim o seu negócio bastante comprometido. Daí que o director executivo da eMusic tenha ontem exprimido as suas reservas aos planos engendrados entre ISPs e majors numa entrevista ao Financial Times. Na opinião de David Pakman, serviços como os que a Playlouder e a 7Digital pretendem disponibilizar aos operadores irão acabar por “penalisar os bonzinhos e não os vilões”
Para além da questão da canibalização das vendas das lojas que vendem músicas individuais e à unidade – uma vez que estes serviços serão muito provavelmente subscrições com termos muito mais vantajosos -, é claro que o que está aqui em causa é também o princípio da neutralidade da rede, uma vez que existe a possibilidade dos ISPs reduzirem a largura de banda reservada para os downloads realizados noutros sites de música online.
Contudo, a avaliar pelas empresas de Internet contactadas pelo jornalista do Financial Times, não existem grandes motivos para receio: “Não temos quaisquer planos para inibir de alguma forma o tráfego de outros serviços legítimos de música ou conteúdos, independentemente de nós próprios virmos ou não a oferecer um serviço desses,” assegurou a BT (ex-British Telecom). Quem já anunciou o seu próprio serviço de subscrição foi a operadora BSkyB, mas por enquanto a empresa acha que ainda é demasiado cedo para estar a alertar para as consequências de algo que ainda nem sequer existe.
Mesmo não sendo tão maquiavélico assim, e tendo em conta que os ISPs convertem-se deste modo automaticamente de meros distribuidores a retalhistas, pode-se sempre imaginar a hipótese deles inundarem os seus portais com publicidade aos seus serviços de subscrição. Quem é que não se deixaria seduzir com estas ofertas supostamente “grátis”? A verdade é que a grande maioria dos internautas é tão preguiçosa que nem sequer é capaz de alterar a página inicial do seu navegador fornecida pelo operador. Mas afinal de contas, isso não é um pouco o que já se está a passar na França com as inúmeras ofertas de música com DRM das operadoras?
(via No Rock And Roll Fun)
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