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Serviços de subscrição de música móvel podem prejudicar vendas de CDs Publicado 30 Set 08

Embora na França as ofertas de assinaturas para fazer downloads ilimitados de músicas estejam longe de serem um grande sucesso, do outro lado do canal da Mancha ainda se acredita bastante no potencial deste tipo de serviços em acabar ou pelo menos reduzir substancialmente a partilha ilegal de ficheiros.

Principalmente com o lançamento do Nokia Comes With Music no Reino Unido já no próximo dia 17 de Outubro que irá permitir que os compradores de um telemóvel Nokia 5310 Xpress Music façam downloads para o seu computador e continuem a ouvir as faixas mesmo se não renovarem o serviço no final do contrato de 12 meses. Outro serviço de música móvel que poderá ser lançado nos próximos meses no Reino Unido é o PlayNow Plus da Sony Ericsson.

De modo a averiguar em que medida é que estas ofertas irão afectar os hábitos de consumo de música dos britânicos, a empresa de estudos de mercado TNS Technology realizou um inquérito a mil indivíduos com idades compreendidas entre os 16 e os 64 anos de idade e concluiu que graças a estes serviços os britânicos poderão vir a descarregar 2,1 mil milhões de faixas por ano.

No entanto, tudo indica que estes serviços não só pouco irão contribuir para reduzir a “pirataria” online como também poderão ter o efeito colateral de acentuar a descida das vendas de CDs e de downloads individuais em lojas de música online, de acordo com um artigo do The Guardian.

Para começar, apenas 25 por cento dos inquiridos manifestaram interesse em aderir a esses serviços. Quanto ao número de músicas que tencionavam descarregar por mês, o valor médio foi de 64 faixas. Em termos anuais isso resultaria numa média de 768 faixas. No entanto, aqueles com idades compreendidas entre os 16 e os 24 anos afirmaram que descarregariam mais do dobro dessas músicas.  

Ou seja, os analistas da TNS Technology limitaram-se a extrapolar esses números para o conjunto da população do Reino Unido e chegaram ao tal número mágico dos 2,1 mil milhões de downloads ao ano. No entanto, a verdade é que esse número se baseia apenas nas intenções expressas pelos inquiridos que estavam interessados nesses serviços de subscrição e não por quaisquer dados concretos.

Segundo o mesmo estudo, 45 por cento dos inquiridos afirmaram que passariam a comprar menos CDs caso aderissem a um destes serviços de downloads ilimitados, ao passo que 47 por cento disseram que comprariam menos downloads individuais em lojas de música online.  O que é engraçado é que apenas 38 por cento respondeu que passaria a usar menos os sites ilegais de partilha de ficheiros. 

Contudo, este estudo deixa mais questões por resolver do que outra coisa. Quantos CDs e downloads individuais é que eles costumam comprar por mês? Quantos é que eles deixariam de comprar? Qual o seu nível de utilização dos sites ilegais, isto é, quantos álbuns ou músicas é que descarregam em média por mês? Porque razão é que eles continuariam a utilizar estes sites? Não será por que estes serviços de subscrição disponibilizam músicas com DRM? Com este tipo de pesquisas que podem dar azo às mais diversas interpretações não vamos a lado nenhum. Tanto se podem torcer os resultados para um lado como para o outro.

Nota: esta imagem está disponível aqui segundo uma licença CC-BY-NC-ND 2.0 e pertence a yum9me.

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