Yes.fm: o Last.fm killer de “nuestros hermanos”?

by Miguel Caetano on 4 de Setembro de 2008

Yes.fm

Se os britânicos têm o Last.fm, os franceses têm o Deezer e o Jiwa.fm, porque é que os espanhóis não hão-de ter o seu próprio serviço de streaming de música? Afinal de contas, a Espanha é uma enorme potência da Web 2.0 e um país que aloja um número infindável de startups da Internet. No campo da música, basta-nos lembrar da Strands responsável pela ferramenta de recomendação de música MyStrands Social Player

Bem dito, bem feito. No dia 10 de Setembro deverá abrir ao público o Yes.fm, um site que oferece um serviço grátis mas básico de streaming com uma série de limitações. Na verdade, a grande aposta desta plataforma online criada pelo empresário espanhol Alejandro Suárez e que conta também na sua equipa com Kiko Fuentes, ex-director geral da Warner Music espanhola passa por um plano de subscrição mensal que oferece o streaming ilimitado das músicas em troca do pagamento de 9,80 mensais, de acordo com Antonio Ortiz do Error500.net.

Se o preço exigido aos utilizadores para acabar com todas as restrições é mesmo este, então parece-me que é bastante caro – ainda para mais tendo em conta que o custo da assinatura mensal da Last.fm é de apenas 2,50 euros. No entanto, o Aliado Digital afirma que o montante cobrado deverá situar-se entre os quatro e os oito euros. Quem tem razão? Por agora, não se sabe.

O que se sabe é que ao contrário do Last.fm – que viu recentemente a Warner Music remover o seu catálogo da subsidiária da CBS -, o Yes.fm conseguiu estabelecer contratos de distribuição dos catálogos digitais das quatro grandes editoras mundiais (Universal Music, Sony BMG, Warner Music e EMI) para além de uma série de etiquetas espanholas (Subterfuge, BOA, Blanco y Negro, La Central Digital). Segundo Suárez, a empresa está também a negociar acordos com as independentes Beggars e Pias. Ao todo, o site irá disponibilizar dois milhões de faixas – exclusivamente para streaming. Em contrapartida, na Last.fm é possível fazer downloads de inúmeras músicas de artistas independentes.

Sinceramente, não me parece que cobrar mais do que cinco euros por mês pelo acesso sem restrições a uma biblioteca de músicas – por maior que ela seja – constitua um modelo de negócio de grande futuro nos dias de hoje. Em especial na Espanha, um país que tem uma das maiores taxas de utilização do P2P da Europa e onde apenas três em cada 100 pessoas compra música em serviços online comerciais. Sejamos pragmáticos: uma conta gratuita que apenas permite ouvir excertos de 30 segundos de músicas a pedido não interessa a ninguém. E mesmo a possibilidade de ouvir as faixas completas através de playlists não me seduz por aí além.

Se foram precisos 16 meses e quatro milhões de euros para este projecto, então as razões para duvidar do sucesso deste Yes.fm tornam-se ainda maiores. Só estou para ver é o que é que irá acontecer a serviços como este quando o sueco Spotify abrir ao público…

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diga cultura
8 de Setembro de 2008 ás 17:22

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