YouTube: para quê remover os vídeos quando se pode monetizá-los? Publicado 1 Set 08
De antro de piratas carregado de vídeos com fraca qualidade, o YouTube começa lentamente a ser encarado pelas grandes companhias de entretenimento e outros detentores de direitos como um site respeitável, capaz de constituir uma fonte de receitas adicional graças à publicidade incorporada em alguns clips.
Numa entrada recente do blog oficial da Google, o gestor de produto David King revelou que 90 por cento dos seus parceiros que recebem notificações automáticas de infracção dos seus direitos de autor preferem partilhar as receitas publicitárias geradas pelo vídeo disponibilizado ilegalmente por um utilizador em lugar de removê-lo. Este é exactamente o mesmo tipo de conteúdos que muitas dessas empresas optavam até muito recentemente por remover.
Os mais de 300 parceiros do Google na indústria de conteúdos estão a utilizar o sistema Video ID - lançado no ano passado e recentemente renomeado de Content ID - que identifica automaticamente todos os materiais potencialmente ilegais e notifica os seus proprietários. Estes podem então optar por removê-los, promovê-los ou monetizá-los. Apesar de King não especificar nenhuma dessas companhias, um artigo publicado no mês passado pelo New York Times indica que incluem nomes como a cadeia de televisão CBS, a produtora de videojogos Electronic Arts, o estúdio de cinema Lionsgate e a editora discográfica Universal Music.
Estes parceiros foram escolhidos por serem aqueles cujos vídeos obtêm um maior número de visualizações em todo o site. Mesmo tendo em conta que o dinheiro gerado com os anúncios ainda é por enquanto uma ninharia - uma vez que eles apenas aparecem numa pequena minoria de todos os vídeos exibidos pelo Youtube - Uma das vantagens que estas companhias obtêm é que os seus vídeos conseguem obter uma maior exposição, sendo colocados em lugares de destaque nos resultados do motor de pesquisa. Segundo a Google, isto resulta num aumento para mais do dobro do número de visualizações.
Uma demonstração da capacidade de monetização do YouTube é o caso de Avril Lavigne que terá arrecadado mais de dois milhões de dólares só em receitas publicitárias, de acordo com o patrão da Nettwerk Music Group Terry McBride
A lição a tirar desta história é que ninguém hoje em dia se pode dar ao luxo de desprezar o poder de promoção viral de um site como o Youtube em que milhares de fãs e utilizadores fazem uploads de vídeos das suas bandas e filmes favoritos sem qualquer motivação financeira. Ou seja, todo o trabalho de distribuição e marketing fica a cargo do utilizador e em troca o titular ainda acaba por ganhar uns trocos. No fim de contas, todos saem a ganhar. Remover os conteúdos e perseguir legalmente os utilizadores ou o próprio YouTube acaba por ser uma carga de trabalhos que não recompensa o esforço e o dinheiro gasto com advogados.
Para que o YouTube seja formalmente reconhecido como uma legítima plataforma de distribuição de conteúdos será no entanto ainda necessário esperar que conglomerados multimédia como a Viacom - que exige mil milhões de dólares de indemnizações à subsidiária da Google - ou a cadeia de televisão italiana MediaSet de Silvio Berlusconi - que no final de Julho instaurou um processo contra o site por distribuição ilegal e uso comercial de vídeos no valor de 500 milhões de euros - se apercebam finalmente de que o caminho da litigância acaba por prejudicar a todos.
P.S: para terminar em beleza, deixo-vos com um artigo do The Guardian sobre os 50 melhores vídeos artísticos que se pode encontrar no YouTube. Mais do que uma mera super MTV, o YouTube é de facto uma autêntica Wikipedia audiovisual onde vale a pena perder algumas horas navegando ao calhas.
Nota: a imagem que acompanha este artigo está disponível aqui segundo uma licença CC-BY 2.0 e pertence a codenamecueball.
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Comentário de MTV convida utilizadores a fazerem uploads de vídeos à fartazana no MySpace | Remixtures em 4 Nov 08 11:48.