Artistas ingleses unem-se para reivindicar mais dinheiro dos negócios de música digital Publicado 6 Out 08

A partir de agora, a indústria discográfica britânica já não poderá argumentar que todas as suas acções contra os partilhadores ou os serviços de música online são tomadas em nome dos artistas. Um grupo de artistas britânicos anunciou este fim de semana a criação de uma associação de defesa dos seus interesses, a Featured Artists Coalition.
Entre os seus fundadores, encontram-se alguns dos nomes mais importantes da música Pop com origem no Reino Unido nos últimos 15 anos como Robbie Williams, The Verve, Katie Nash, Travis, Dave Gilmour, Kaiser Chiefs, Futureheads, Billy Bragg, Iron Maiden e até os Radiohead, a banda que se tornou no caso de estudo paradigmático a seguir por todos os outros artistas que pretendem fazer carreira sem uma editora.
Este leque de vedetas queixa-se de ser frequentemente ignorado pelas editoras e o seu grupo de pressão no Reino Unido, a British Phonographic Industry nas negociações que antecedem a assinatura de acordos com serviços de música digital. Como exemplo deste manifesto descaso para com os intérpretes, Brian Message, empresário dos Radiohead e Kate Nash, dá o exemplo do memorando assinado em Julho passado entre a BPI, o governo e os fornecedores de acesso à Internet.
Mas que não tenhamos ilusões: esta nova coligação não pretende ser uma associação de benfeitores que se uniram para arranjar soluções inovadoras para conciliar os seus interesses com os interesses dos seus fãs. Os fundadores deste grupo deixam aliás bem claro que o que está em cima de mesa é sobretudo uma questão de controlo e de dinheiro. Eles querem não só manter o controlo sobre os seus direitos de autor como também ter direito a uma percentagem mais elevada das receitas geradas pelo sector da música digital. Para começo de conversa, a coligação pretende conseguir avanços em seis pontos fortes:
- Um reconhecimento por parte da indústria musical de que os artistas devem receber uma compensação justa sempre que os seus parceiros de negócio receberem um retorno económico da exploração da obra dos artistas.
- Todas as transferências de direitos de autor devem ser por licença em lugar da mera atribuição e limitadas a 35 anos.
- O direito de distribuição deve ser monetizado em nome dos artistas abrangidos e de todos os outros intérpretes.
- Os detentores de direitos devem ser obrigados a seguir uma abordagem ‘use it or lose it’ aos direitos de autor que eles controlem (de modo a que a obra reverta para o artista passado um determinado período de tempo após o lançamento comercial no caso de não estarem interessados em comercializá-la).
- Os direitos concedidos aos intérpretes devem ser os mesmos que os dos autores (compositores e letristas).
- Uma alteração à lei de direitos de autor do Reino Unido de modo a acabar com a exploração comercial de música não licenciada (…).
O que é que vocês acham? Trata-se de mais uma das inúmeras disputas feudais entre classes da indústria musical para saber quem é que fica com mais dinheiro ou será que estes artistas estão mesmo interessados em romper com o modelo convencional do negócio da música de modo a captar a atenção dos fãs e criar uma relação proveitosa para ambas as partes a longo prazo?
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Miguel, vou me arriscar aqui em publicar minha opinião à um assunto um tanto complicado e obscuro para a grande maioria das pessoas, inclusive para mim, pois também não vivo ou participo diretamente deste meio. Minha opinião pode estar equivocada, mas é assim que vejo até o momento em que me expliquem como funciona a coisa, ou o que realmente desejam os envolvidos, e, então, corrijam este meu equívoco. Re-afirmo que é apenas uma opinião minha, e que pode estar totalmente equivocada.
Comentário de Gerson Ramos em 8 Out 08 00:24.Eu acredito, que estes grande artistas estejam aproveitando o momento de fraqueza e declínio do modelo criado a décadas pelas grandes gravadoras e empresas de entretenimento para se beneficiar diretamente, o que não acho nem errado e nem também acertado. Há aí, com certeza, grandes interesses envolvidos entre grandes grupos: as grandes gravadoras e grandes editoras e os que se beneficiaram desse modelo por muito tempo e cresceram o suficiênte para brigar de frente. É uma briga de gigantes.
Justifico que não acho também acertado a posição desse grupo poderoso de artistas, por me passar pela cabeça que pode estar se formando um outro tipo de associação monopolista que venha a assumir o papel que hoje ainda fazem as grandes editoras, mas posso estar totalmente enganado, pois como estou distante destes interesses, pode ser realmente apenas uma sensação de quem realmente não entende nada disso tudo.
Acredito sim é na liberdade total ou na independência total do artista ou autor, e da adoção da copyleft. Acho que só assim poderíamos ter um mercado mais equilibrado e democrático para todos os autores e artistas, independentemente destes autores ou artistas serem grandes ou pequenos, novatos ou velhos e experientes.