Big Boss da maior discográfica do mundo em discurso directo Publicado 10 Out 08
O seu nome é Doug Morris e à primeira vista passa por um velhinho simpático de 80 anos, mas na verdade trata-se tão somente do director executivo da Universal Music Group, a maior companhia discográfica do mundo responsável por quase um terço (32%) das vendas de música nos Estados Unidos. Como tal, não há que ter ilusões: Morris foi um dos “manda-chuvas” responsáveis pela campanha de processos contra partilhadores que a RIAA e a IFPI têm vindo a instaurar um pouco por todos os cantos do mundo.
A última grande entrevista que Morris deu foi à revista Wired em Novembro de 2007 mas o nosso velhote não deve ter gostado muito do resultado final porque desde então, o patrão da Universal Music Group nunca mais deu grandes entrevistas a qualquer outro órgão de comunicação social. Até hoje, quando decidiu falar com a Billboard - a “bíblia” semi-oficial da indústria da música nos EUA. O texto não é nada por aí além, talvez em grande parte devido ao medo do entrevistador em fazer as perguntas mais duras e ao mesmo tempo mais esperadas ao entrevistado.
Mesmo assim, entre muita palha e histórias nostálgicas sobre um figurão que subiu a pulso na indústria discográfica até ao topo dos topos, Morris lá acaba por fazer algumas “confidências” interessantes. Ele não só acha que Lil Wayne foi uma das melhores coisas que aconteceu à Universal este ano - pudera! Com mais de um milhão de discos vendidos na primeira semana de lançamento, como é que ele não haveria de gostar do rapper? -, como continua a achar que os processos instaurados da RIAA foram justificados:
Foi uma tentativa de fazer passar uma mensagem que (a partilha de ficheiros) se trata de um roubo e que é errado. Não há outra forma de encarar as coisas. Funcionou? Não sei. Talvez tenha levado algumas pessoas a não roubarem música, talvez não… Será que mereceram ser apanhados? Provavelmente. As pessoas não gostam de polícias. Eu compreendo isso. E talvez elas estejam certas. Mas quando damos de caras com todas as lojas de discos fechadas e perdemos metade dos nossos funcionários e deixamos de poder assinar com bandas para que elas possam gravar discos porque as pessoas andam a roubar, nós aí fazemos tudo o que está ao nosso alcance para travá-las. Existem montes de pessoas que pensam que as coisas deviam ser grátis. Eu não sei como é que elas acham que nós haveríamos de produzi-las sem gastar dinheiro, mas existem pessoas que são irracionais.
Em relação ao tal artigo da Wired que gerou inclusive um cartoon bastante engraçado a fazer troça do neo-luddismo de Doug Morris, o patrão da Universal Music Group refere o seguinte:
Eles estavam a tentar gozar comigo porque eu sou mais velho e porque venho de uma era diferente. Mas como eu tenho vindo a dizer desde o início, existe uma série de coisas que nunca mudam. As pessoas não entendem isso. Elas estão tão fascinadas e encantadas por todas essas novas e reluzentes tecnologias que não compreendem que nada funciona se não tivermos música que as pessoas desejam. Ninguém irá descarregar música que não gosta.
O que eu levo a sério é o facto de sermos pessoas que criam arte. Quer gostem ou não da nossa arte, é o que fazemos. Todo o meu ponto de vista é que este problema em que nos encontramos, que foi provocado pela tecnologias, será solucionado pela tecnologia. Algum génio situado do lado de lá irá descobrir uma forma de impedir a pirataria que me parecerá bastante lógica. Daí que todas essas pessoas que surgem com essas opiniões de que nós devíamos ter feito isto ou aquilo sejam ridículas.
Mas lá mais para a frente, Morris deixa fugir a boca para a verdade quando diz que nunca ouve o que as pessoas dizem e que está-se a “marimbar” para as críticas musicais porque o que interessa realmente à UMG são os êxitos de vendas. O patrão da Universal confessa ainda que detestou muito mais alguns dos discos publicados pela sua editora do que propriamente o artigo da Wired mas que optou por ficar calado. Então mas não era o senhor Morris que tinha acabado de dizer mesmo ali atrás que a Universal Music só fazia “Arte”? Mas que espécie de “Arte” é que essa que é insuportável até aos ouvidos do Big Boss da maior editora discográfica do mundo? Parece-me que o senhor Morris está a ficar esclerosado. São os 80 anos… É muito ano em cima! O problema é que ele nem sequer diz quais foram esses discos que ele odiou.
Ah! Quem tentar vir com a história de que o P2P e a partilha de música funcionam como uma forma de promoção para cima do senhor Morris terá uma grande desilusão. O homem nem acredita que o YouTube tenha qualquer valor promocional, quanto mais o peer-to-peer! MTV? Não passam de uma cambada de ladrões que construíram um negócio às custas das editoras sem lhes pagar nada em troca.
Não admira por isso que ele esteja já a pensar em criar um site próprio de vídeos de música. Mas Morris deixou o aviso: caso a Universal avance com um site próprio, o mais provável é que não renove o contrato com a YouTube que por coincidência está prestes a expirar. Ele dá a entender que está a tentar convencer outra editora a aderir à iniciativa. Por fim, Morris deixa o recado de que não subestima os seus adversários. Ele acha que Steve Jobs é a pessoa mais inteligente no negócio da música.
Essa admiração por Jobs não deixa de ser reveladora, tendo em conta que a Universal tem feito tudo e mais alguma coisa para minar a quota de mercado de 85 por cento que o iTunes ocupa actualmente no mercado de música online, entre as quais licenciar a comercialização do seu catálogo em formato DRM a todo o cão e gato que lhe acene com uns bons milhõezitos de dólares. Enquanto isso o iTunes da Apple continua a ser obrigado a vender os temas da Universal com DRM.
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[...] seduzir as outras três grandes editoras a aderirem à plataforma. Tendo em conta que Doug Morris admitiu na semana passada que poderia remover todos os seus vídeos do YouTube caso optasse por lançar o seu próprio [...]
Comentário de Alloclips: Universal Music estreia concorrente do YouTube na França | Remixtures em 14 Out 08 21:41.