Deezer: streaming de música grátis a pedido faz aumentar vendas

by Miguel Caetano on Outubro 7, 2008

Se é verdade que em termos de receitas monetárias directas provenientes dos anúncios, o streaming de música financiado por publicidade está muito aquém de constituir uma mina de ouro, o que é facto é que este tipo de serviços contribuem definitivamente para levar os fãs de música a comprarem mais discos e a renunciarem aos downloads ilegais, de acordo com os resultados de um estudo encomendado pelo site francês Deezer à Isobar, uma agência de media interactivos do grupo AEGIS.

No âmbito deste estudo foram inquiridos 600 indivíduos entre os 15 e os 64 anos de idade utilizadores do Deezer, dos quais 33 por cento declararam ter passado a efectuar menos downloads ilegais e 25 por cento afirmaram ter passado a comprar mais música desde que começaram a utilizar o site. Essa percentagem aumenta mesmo para os 46 por cento na faixa etária entre os 25 e os 34 anos. Ou seja, o Deezer não é um mero expediente para poupar dinheiro na compra de discos em suporte físico ou digital, uma vez que também promove e sugere aquisições futuras.

Outro dado interessante que indica o potencial do Deezer para dar a descobrir música nova é que 79 por cento dos utilizadores do serviço disseram que ouvem os artistas propostos pelo serviço. Mais importante do que isso é o facto de o Deezer estar a contribuir para aumentar a confiança dos fãs em relação às aquisições de música que efectuam, uma vez que têm a possibilidade de escutar os discos antes de os comprar: 74 por cento dos utilizadores afirmou já ter comprado álbuns dos artistas que ouviu em primeiro lugar no Deezer.

Este dado é ainda mais de admirar tendo em conta que o Deezer não disponibiliza links para comprar directamente os downloads das músicas que acabámos de ouvir em lojas online. Do mesmo modo, 56 por cento dos inquiridos afirmaram continuar a comprar downloads legais ao passo que 61 por cento responderam que continuam a comprar CDs. Em termos de nível de utilização, o Deezer foi indicado como sendo a principal plataforma para ouvir música online por 44 por cento dos inquiridos com idades entre os 15 e os 24 anos e 30 por cento entre os 25 e os 34 anos. 59 por cento afirmaram visitar o site pelo menos uma vez por semana.

Apesar deste estudo ter sido encomendado pelo Deezer, o que é certo é que os resultados que ele contém servem pelo menos como um indicador razoável do impacto positivo das alternativas legais de música online. Calculo que se alguém fizesse um estudo semelhante em relação a um tracker privado de BitTorrent ou outro site de partilha de ficheiros, os resultados não seriam muito diferentes. A música online deve ser acima de tudo vista como um meio de promoção da venda de discos, merchandising e bilhetes para concertos. Quem quer que se limite a calcular os benefícios tendo apenas em conta o dinheiro gerado pela publicidade está a ser bastante curto de vista.

(via ElectronLibre e Numerama)

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